Na Flip, mesa dedicada à fotógrafa Claudia Andujar, aliada na luta Yanomami, tem críticas a Bolsonaro

Terminou ao som do coro de "Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula", entoado pela plateia, a mesa "Livre e infinito", que encerrou a programação da Flip desta quinta-feira (25).

Dedicado à vida e obra da fotógrafa e ativista Claudia Andujar, grande aliada na luta pelo povo Yanomami, o encontro reuniu as fotógrafas Nay Jinknss e Nair Benedicto, que também desenvolvem trabalhos com indígenas, e teve mediação do editor Thyago Nogueira.

Muito amigo de Claudia, o líder indígena Davi Kopenawa testou positivo para a Covid-19 e cancelou sua participação. Mas enviou um depoimento em vídeo, exibido na Tenda dos Autores, em que falou sobre a importância da fotógrafa para o seu povo.

- Claudia abriu caminho para vocês, brancos, conhecerem o nosso nome. Ele nos ajudou muito. Ela é mãe da defesa dos nossos direitos - disse o líder indígena sobre a fotógrafa, que foi fundamental para demarcação do território Yanomami.

Thyago, por sua vez, definiu Claudia, que nasceu na Suíça, como "a mais brasileira das estrangeiras". Lembrou quando ela precisou fugir da Europa porque parte da família era judia. Claudia chegou ao Brasil em 1955.

- Foi aqui que ela pegou pela primeira vez a câmera e se tornou uma fotógrafa que documenta e defende a vulnerabilidade do ser humano. Se entregou de corpo e alma à liberdade, à arte e aos direitos humanos - definiu ele, destacando ainda o fato de ela ter transcendido o papel de artista e transformado a história dos Yanomami e do povo indígena.

- Quando a gente vê o quanto de ataques os indígenas sofreram nesses quatro anos (de governo Bolsonaro), percebemos o quanto faz sentido homenagear Claudia - afirmou Thyago.

Nair Benedicto comentou que Claudia não teve filhos, mas protegeu e conviveu com muitas crianças indígenas. Contou que, numa época em que ninguém tinha muita paciência para os novatos na profissão, Claudia a ajudou ensinando vários segredos da fotografia.

Já Nay Jinknss afirmou que a principal lição que tirou do trabalho de Claudia foi "ouvir o outro".

- Precisamos ter empatia, conversar, sentir as pessoas em busca de representá-las de uma maneira mais afetiva e gentil - disse ela.