Na Flórida, Senado aprova lei que permite aos professores irem armados às escolas

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O Senado da Flórida aprovou nesta terça-feira (23), por 22 votos a 17, um projeto de lei que permite que professores possam ir às escolas munidos de armas de fogo. A polêmica decisão, entretanto, exige que aqueles que optarem pelo porte devem receber um treinamento adequado de cerca de cem dias e passar por uma avaliação psicológica.

De acordo com a lei, os professores que desejarem ser contemplados por ela, farão um curso de cem horas que lhes dará o treinamento necessário, sob um programa especial de uso de armas.

O debate sobre essa medida, que provavelmente será também aprovada na Câmara dos Representantes, surgiu após o tiroteio ocorrido em fevereiro de 2018, em uma escola de Parkland, sul da Flórida, que deixou 17 mortos e 15 feridos.

O principal propulsor dessa ideia é o senador republicano Manny Díaz, que acredita que, caso os professores estivessem armados, o massacre poderia ter sido evitado ou, ao menos, reduzido.

Diversas organizações civis, sindicatos de professores e pais de alunos, entretanto, se opõem à medida, lembrando que professores são agentes de ensino, e não da ordem.

Porém, Bill Galvano, presidente do Senado estadual, alegou que a legislação trará melhorias na coordenação entre docentes, agentes da ordem e equipes de saúde mental, garantindo que “estudantes em risco recebam a ajuda que necessitam antes que ocorra uma tragédia”.

“Os segundos são importantes quando se detém um atirador. Esta legislação garantirá que o pessoal escolar disposto, incluindo os professores da sala de aula, tenha a capacitação e os recursos necessários para ser a última linha de defesa entre uma criança inocente e um agressor violento”, declarou o republicano.

A medida foi amplamente criticada por parlamentares do Partido Democrata, que ganharam o apoio da senadora e legisladora Anitere Flores, única do Partido Republicano – o qual domina ambas as câmaras – a votar contra o projeto.

Ron DeSantis, governador da Flórida, apresentou em fevereiro um plano de segurança baseado nas recomendações feitas por uma comissão formada logo após o tiroteio na escola Marjory Stoneman Douglas de Parkland. Nele estava incluída a proposta da presença de guardiões armados.

Uma lei aprovada em 2018 por conta do mesmo episódio, por outro lado, aumentou a idade mínima para adquirir uma arma de 18 para 21 anos, além de estabelecer um período de espera de três dias para a maioria das compras de armas de longo alcance.

Nikolas Cruz, autor confesso do massacre, ainda terá que responder a 17 acusações de assassinato em primeiro grau. Ele tem 20 anos e é ex-aluno de Marjory Stoneman Douglas.