Na França, ultradireita é derrotada em eleição regional e centro-direita cresce

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BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - Com uma abstenção ainda bastante alta, de 65,7%, o segundo turno das eleições regionais deste domingo (27) confirmou o recuo da ultradireita, liderada por Marine Le Pen.

Seu partido Reunião Nacional (RN) perdeu para os Republicanos (LR), de centro-direita, na única região em que ainda tinha chances, Provença-Alpes-Côte d'Azur, no sudeste francês. Segundo pesquisa boca-de-urna feita pelo Instituto Ipsos, o candidato do RN obteve 42,3%, dos votos, contra 57,7% do LR.

A líder do RN tem suavizado a retórica xenófoba e expulsou do partido integrantes que fizeram declarações antissemitas, mas ainda não conseguiu ainda reverter a sina de ser derrotada no segundo turno por aqueles que rejeitam o partido anti-imigração.

Se é possível falar em vencedor num pleito em que 2 a cada 3 eleitores nem se dignaram a sair de casa, ele é Xavier Bertrand (LR), que se impôs no primeiro turno em Hauts-de-France, esmagando o candidato do RN em uma região pobre, onde a influência da ultradireita costumava ser forte. De acordo com a pesquisa do Ipsos, ele venceu com 53% dos votos.

"A política não morreu", disse o pré-candidato republicano à eleição presidencial de abril de 2022, logo após o fechamento das urnas, às 20h (horário local, 15h no Brasil).

Embora os números regionais não se traduzam em desempenho nacional, Bertrand mostrou que é capaz de derrotar o RN, o que pode colocá-lo como uma alternativa viável para os franceses que não querem nem Marine Le Pen nem o presidente francês, Emmanuel Macron, à frente de um próximo mandato.

O republicano ainda precisa se impôr nas primárias de seu partido, onde ele não é a opção mais popular, mas os ventos podem passar a soprar a seu favor, de acordo com a pesquisa do Ipsos neste domingo. A dez meses da eleição presidencial, Bertrand é o favorito dos eleitores na direita, com 18% das intenções de voto, contra 13% de seus concorrentes mais próximos.

Na dianteira continuam disputando Marine Le Pen (com entre 24% e 26% das intenções de voto) e Emmanuel Macron (de 24% e 27%).

No cômputo geral, coligações de centro-esquerda e esquerda vão governar 5 das 13 regiões, a centro-direita é a líder em 4 e a direita, em 3. Na Córsega, a vitória foi dos regionalistas.

A alta abstenção no segundo turno confirmou é equivalente aos 66,7% do primeiro turno, no domingo passado (20), de acordo com os dados oficiais, e a principal razão foi " insatisfação com os políticos em geral".

O motivo foi citado por 27% dos franceses instados a dizer três pricipais causas de seu desinteresse em votar, em levantamento do isntituto Ipsos/Sopra Steria para a FranceTV e a Radio France. A segunda razão mais citada, com 23%, foi que nenhum dos candidatos representava o eleitor.

Ter "outras preocupações" ou "outros compromissos" ficou em terceiro lugar, com 20% das menções. O voto na França não é obrigatório.

A falta de engajamento dos eleitores, que foi descrita à FranceInfo como "um mal-estar democrático que se aprofunda" pelo cientista político Rémi Lefebvre após o primeiro turno, provocou debates durante toda a semana na França sobre suas principais razões e o que fazer para elevar a participação.

Até mesmo a obrigatoriedade foi sugerida por alguns analistas, citando o caso da Bélgica, onde eleitores que não votam são sujeitos a multa, e a participação chega a até 90%.

Em entrevista ao jornal Le Monde, a Christine Fauvelle-Aymar, pesquisadora da Universidade de Tours e especialista em participação eleitoral em bairros desfavorecidos, disse que o medo da punição derrubaria a abstenção se sistema semelhante fosse aplicado na França;

Analistas consideram difícil que essa mudança seja feita, porque não se sabe que escolhas fariam aqueles que se recusam hoje a ir à urna. Em protesto, elas poderiam acabar votando "contra o sistema", o que favoreceria populistas ou outsiders.

O resultado do primeiro turno já havia se revelado uma tragédia para o partido de Macron, o República em Marcha (LREM), mas 51% dos eleitores disseram no domingo passado ao Ipsos que seu voto não representava nem sanção nem adesão ao governo nacional. Expressaram oposição ao presidente 33% deles, e 16% disseram ter votado para lhe dar apoio.

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