Na Independência, Amazônia passa número de queimadas de setembro de 2021

*ARQUIVO* SAO FELIX DO XINGU, PA. 20/07/2020. AMAZONIA SOB BOLSONARO. Queimada em area recentemente desmatada para forma‹o de pasto dentro da Terra Indigena Trincheira Bacaja, no Par‡.  ( Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress )
*ARQUIVO* SAO FELIX DO XINGU, PA. 20/07/2020. AMAZONIA SOB BOLSONARO. Queimada em area recentemente desmatada para forma‹o de pasto dentro da Terra Indigena Trincheira Bacaja, no Par‡. ( Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress )

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Enquanto o Brasil completava o Bicentenário da Independência, nesta quarta-feira (7), a Amazônia queimava. Foram necessários apenas sete dias de setembro para os incêndios no bioma chegarem a 18.374 focos de calor e superarem o registro de fogo em todo o mês de setembro do ano passado.

Só no dia da Independência, foram 1.676 focos de calor no bioma. O número foi menor valor registrado até agora no mês, mas ainda é significativo.

Em setembro de 2021, o Inpe registrou 16.742 queimadas na Amazônia. Tal valor, porém, foi relativamente baixo, considerando o histórico para esse mês, que tem uma média de focos de 32.110. Em 2020, por exemplo, foram 32.017 queimadas.

Os primeiros quatro dias do mês já mostravam que as queimadas de setembro poderiam ser mais intensas do que temos visto, mesmo sob o governo Jair Bolsonaro (PL), no qual desmatamento e queimadas explodiram -vale mencionar que os dois fenômenos caminham juntos, com o fogo sendo usado para "limpar" a área derrubada.

Os dados do programa Queimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), mostram que três dias do mês atual registraram, consecutivamente, mais de 3.000 focos de calor. Uma sequência de valores tão altos, dia após dia, em setembro, não acontecia, pelo menos desde 2007.

Os registros do Inpe são acompanhados por imagens de satélites, que, nos dias 5 e 6 de setembro, mostram uma longa nuvem cinza cobrindo o sul do Amazonas, Rondônia e o Acre. Imagens semelhantes também foram vistas em agosto deste ano, o pior em queimadas desde 2010.

Capturas de satélites também mostram a fumaça das queimadas amazônicas (e de focos na Bolívia) cobrindo milhões de km² no continente sul-americano e chegando a São Paulo e a outros estados do Sudeste e do Sul.

Apesar de amplas áreas afetadas, a situação não chega a ser inédita na região. Em anos com muitas queimadas na Amazônia, a fumaça costuma se espalhar pelo continente.

A situação lembra o ocorrido em agosto de 2019, quando chamou a atenção o escurecimento dos céus de São Paulo no meio da tarde, ao mesmo tempo em que o número de focos de calor explodia na Amazônia.

Segundo artigo do pesquisador Alberto Setzer, porém, a concentração de fumaça em 2019, não era suficiente para "apagar a luz" na cidade de São Paulo. Tal escurecimento pode ter sido provocado por nuvens baixas e médias muito concentradas e espessas.