Na mira da CPI da Covid, Pazuello é celebrado por Bolsonaro: "fui testemunha da luta desse homem"

Daniel Gullino
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O ex-ministro foi abraçado por Bolsonaro, que acenou para a plateia, em evento em Manaus (AM)
O ex-ministro foi abraçado por Bolsonaro, que acenou para a plateia, em evento em Manaus (AM)

Alvo de investigações do Ministério Público e na mira da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello recebeu elogios públicos do presidente Jair Bolsonaro e de outras autoridades durante um evento nesta sexta-feira em Manaus. Mesmo sem cargo no governo federal, Pazuello acompanhou a cerimônia de inauguração de um centro de convenções na capital do Amazonas. 

Antes de assumir o Ministério da Saúde, Pazuello, que é general da ativa do Exército, comandava a 12ª Região Militar, sediada em Manaus. Durante sua gestão na pasta, um dos principais pontos de desgaste foi um colapso no sistema de saúde do Amazonas em janeiro. Em seu discurso nesta sexta, Bolsonaro afirmou que "ninguém esperava que fosse acontecer" uma situação como aquela. 

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Em entrevista à revista "Veja", publicada na quinta-feira, o ex-secretário de comunicação da Presidência Fabio Wajngarten afirmou que o Brasil não comprou antes vacinas da Pfizer por "incompetência" e "ineficiência". Wajngarten fez críticas à condução do tema pelo Ministério da Saúde, mas evitou citar diretamente Pazuello e ainda poupou Bolsonaro. Wanjgarten também deve ser chamada a depor na CPI da Covid.

No evento desta sexta-feira, Pazuello foi mencionado inicialmente pelo ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, que o chamou para subir ao palco. O ex-ministro foi abraçado por Bolsonaro, que acenou para a plateia, e em seguida foi ao encontro de Gilson. 

— Quero fazer uma saudação especial. Cadê o general Pazuello? Cadê ele? Venha cá — disse o ministro, continuando depois, já que o ex-colega ao seu lado: — Eu fui testemunha da luta desse homem pela erradicação da doença no nosso país. 

Machado disse que Pazuello começou a distribuir as primeiras vacinas contra a Covid-19 um dia após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar seu uso e disse que "nós somos muito gratos" ao "empenho" do ex-ministro. 

Bolsonaro diz que Queiroga continua trabalho de Pazuello

Cardiologista, Marcelo Queiroga é o quarto ministro da Saúde durante o governo Bolsonaro - Foto: AP Photo/Eraldo Peres
Cardiologista, Marcelo Queiroga é o quarto ministro da Saúde durante o governo Bolsonaro - Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Depois, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), também elogiou Pazuello, ao agradecer ao apoio do governo federal:

— Quero fazer um agradecimento muito especial ao general Eduardo Pazuello, que viveu, no estado do Amazonas, os momentos mais difíceis pelo qual o nosso povo passou. 

Último a discursar, Bolsonaro voltou a citar Pazuello, dizendo que ele teve participação no trabalho do governo para que "os danos dessa pandemia fossem diminuídos". O presidente também fez menção ao atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, dizendo que ele dá "prosseguimento" ao trabalho de Pazuello. 

— Conseguimos, com a equipe que nós temos em Brasília, colaborar em muito para que os danos dessa pandemia fossem diminuídos. Em especial, pelo ministro da Saúde que tive até há pouco tempo, o senhor Pazuello. Aqui presente, o ministro Queiroga, da Saúde, que dá prosseguimento ao seu trabalho.