Na noite de Exu e Oxóssi na Sapucaí, expectativa pela homenagem a Martinho da Vila

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Na noite dos orixás, quando a Mocidade Independente de Padre Miguel evoca Oxóssi, com o seu “Batuque ao Caçador”, e a Grande Rio, com "Fala, Majeté!" busca desmistificar a figura de Exu, a grande expectativa fica por conta também da homenagem que a Vila Isabel vai prestar ao artista cuja história se confunde com a da escola do bairro de Noel: Martinho da Vila. Aos 84 anos, o sambista depois de conceber enredos para agremiação, como o antológico "Kizomba, a festa da raça", que deu o primeiro título para a azul e branca, em 1988, será dessa vez o próprio o tema do desfile.

A Paraíso do Tuiuti abre a noite, a partir das 22h, com "Ka ríba tí ÿe - Que Nossos Caminhos Se Abram", numa noite de predominância de enredos de temática negra e que abordam religiões de matriz africana. A escola de São Cristóvão vai contar histórias de luta, sabedoria e resistência do povo preto, lembrando nomes de personalidades negras como Barack Obama, Beyoncé, Nelson Mandela e Catherine Johnson. O enredo tem uma concepção afrofuturista, segundo o carnavalesco Paulo Barros.

A ideia é abordar a glorificação do povo preto, associando personagens conhecidos aos orixás do candomblé. Serão mostradas 20 personalidades negras contemporâneas que escreveram seu nome na história e que trazem características de 20 divindades africanas. Mandela, por exemplo, virá representado como Oxalá. Com isso, cada ala da Tuiuti vai homenagear um personagem pioneiro nas conquistas do povo negro e reverenciar uma divindade.

— Peço que todos prestem muita atenção porque as homenagens virão nas alas e nos carros — Alerta André Gonçalves, o diretor de Carnaval

A Portela entra em seguida com um enredo que vai retratar a simbologia dos baobás, árvores gigantescas e milenares originárias da África. Desenvolvido pelos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage, “Igi Osè – Baobá”, mostrará a importância dos baobás através de aspectos como ancestralidade, religiosidade, identidade e memória, entre outros. Márcia Lage explica que a presença de baobás no Brasil e o legado cultural dos milhões de seres humanos escravizados trazidos da África também terão destaque no desfile da escola.

A Mocidade Independente de Padre Miguel vai levar o toque do agueré e a batida dos terreiros para a Sapucaí na saudação a Oxóssi, num grande arerê, ou seja uma festa, uma algazarra na Sapucaí. O enredo “Batuque ao Caçador”, exalta o orixá e ao mesmo tempo rende homenagens a figuras importantes de sua própria história da verde e branco da Zona Oeste, que aposta tudo para mirar no título. O último é o de 2017, dividido com a Portela. A agremiação vem com o primeiro enredo afro em mais de quatro décadas e meia.

— Era um enredo muito pedido pela comunidade, talvez só não era mais pedido que o enredo da Elza (Soares). É um reencontro da escola com ela mesma. Será um desfile que tratará dos fundamentos da Mocidade — afirmou o carnavalesco Fábio Ricardo.

Uma das surpresas virá da bateria, cujos quase 300 integrantes desfilarão carecas. A rainha Giovana Angélica não escapou do desafio e já ostenta o novo visual à máquina zero.

A Unidos da Tijuca vai contar a história do guaraná no enredo “Waranã – A reexistência vermelha”, que falará sobre ciclos, descendências e resistência. Desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, conhecido por abordar temáticas políticas na Sapucaí, a escola vai mostrar a importância da luta dos povos indígenas. Desde 2016 sem participar do desfile das campeãs, a escola do Borel trouxe o novo carnavalesco buscando uma estética diferente, com menos alegorias humanas e muitas cores vibrantes.

—Estou trazendo uma estética do desfile em formato de conto, de ilustração. Meu projeto é mais artesanal, menos coreografado e sem muita alegoria humana — afirmou o carnavalesco.

A segunda escola da noite a louvar um orixá é a Grande Rio, que vai evocar Exu para abrir os caminhos para o sonhado título na Sapucaí . O enredo "Fala, Majeté! As sete chaves de Exu" vem desmistificar o orixá, visto no mundo ocidental pelo lado ruim, segundo os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad. A intenção deles é mostrar que Exu é caminho, sabedoria, prosperidade e livramento.

— Vamos criar uma grande festa para Exu. A gente vai cantar para essas pessoas que foram excluídas socialmente. Estamira, Bispo do Rosário, Stela do Patrocínio. Fazer essa grande manifestação a favor dessa energia poderosa que é Exu — adiantou Haddad.

A Vila Isabel fecha a noite com a esperada homenagem a Martinho da Vila. A previsão é que a escola entre na Avenida às 3h. A vida do cantor, compositor e símbolo do bairro vai ser contada no enredo “Canta, canta minha gente! A Vila é de Martinho!”.

Segundo o carnavalesco Edson Pereira, o homenageado só fez um pedido: quer atravessar a Sapucaí ao lado de familiares e amigos. O sambista que nos anos 1980 liderava caravanas de artistas para cantar em Angola e ajudou sua escola a conquista seu primeiro campeonato no ano em que se comemorou o centenário da abolição da escravatura é o protagonista do desfile que encerra o chamado carnaval preto.

A apuração será na terça-feira, a partir das 16h na Praça da Apoteose. O desfile das campeãs acontece no sábado seguinte, dia 30, a partir das 21h30.

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