Na ONU, Bolsonaro adota tom de campanha e ataca Lula

Presidente Jair Bolsonaro discursa na Assembleia-Geral da ONU

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - A 12 dias do primeiro turno, o presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), adotou um tom de campanha na abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU) e atacou o ex-presidente e favorito nas eleições de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No discurso, Bolsonaro falou dos escândalos de corrupção que envolveram a Petrobras e comemorou as manifestações populares convocadas por ele no 7 de Setembro.

O presidente afirmou que seu governo extirpou a "corrupção sistêmica" que existia no país e citou que entre 2003 e 2015, período em "a esquerda presidiu o Brasil, o endividamento da Petrobras por má gestão, loteamento político em e desvios chegou a casa dos 170 bilhões de dólares".

"O responsável por isso foi condenado em três instâncias por unanimidade", disse Bolsonaro, referindo-se indiretamente a Lula.

"Esse é o Brasil do passado", disse Bolsonaro.

Em abril do ano passado, no entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou condenações de Lula no âmbito da operação Lava Jato, garantindo ao petista os direitos políticos para concorrer nas eleições presidenciais de 2022. Na ocasião, o STF considerou a Vara Federal de Curitiba incompetente para julgar o ex-presidente, remetendo os casos para o Judiciário em Brasília e São Paulo.

DEMONSTRAÇÃO CÍVICA

No final de seus discurso, o presidente destacou a participação popular por ocasião das comemorações do 7 de Setembro, o Bicentenário da Independência, repetindo seu bordão tradicional.

"Milhões de brasileiros foram às ruas, convocados pelo seu presidente, trajando as cores da nossa bandeira", disse. "Foi a maior demonstração cívica da história do nosso país, um povo que acredita em Deus, pátria, família e liberdade", exaltou.

Em linha com o discurso da campanha, Bolsonaro disse ser um "defensor incondicional" da liberdade de expressão, citando nesse ponto a liberdade de orientação religiosa. Ele criticou ações do governo da Nicarágua em relação a autoridades católicas e fez um aceno.

"É essencial garantir que todos tenham o direito de professar e praticar livremente sua orientação religiosa, sem discriminação. Quero aqui anunciar que o Brasil abre suas portas para acolher os padres e freiras católicos que têm sofrido cruel perseguição do regime ditatorial da Nicarágua. O Brasil repudia a perseguição religiosa em qualquer lugar do mundo", disse.

A campanha do candidato à reeleição tem insistido nas comparações com governos simpáticos a Lula, como o de Daniel Ortega, na Nicarágua, para tentar aumentar a rejeição do adversário.

O presidente ainda exaltou a pauta de costumes, citando a defesa da família, criticando a chamada ideologia de gênero, e o que chama de prioridade na proteção das mulheres. Bolsonaro tem tido grande dificuldade entre o eleitorado feminino, segundo pesquisas de intenção de voto.

Sondagens eleitorais apontam que Lula tem chances de ser eleito já no primeiro turno.