Na ONU, Bolsonaro diz ser contra passaporte sanitário

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Presidente Jair Bolsonaro chega à 76ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 21 set. 2021 (AFP/John Minchillo)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (21), em seu discurso na abertura da 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que seu governo é contra o passaporte sanitário, mas "apoia os esforços" de vacinação contra a covid-19.

"Apoiamos a vacinação, contudo, o nosso governo tem-se posicionado contrário ao passaporte sanitário, ou a qualquer obrigação relacionada a vacina", declarou, na tribuna da ONU.

"Desde o início da pandemia, apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce, seguindo recomendação do nosso Conselho Federal de Medicina", garantiu.

Bolsonaro informou ainda que distribuiu "mais de 260 milhões de doses de vacinas e mais de 140 milhões de brasileiros já receberam, pelo menos, a primeira dose, o que representa quase 90% da população adulta" e que "80% da população indígena também já foi totalmente vacinada".

"Até novembro, todos que escolherem ser vacinados no Brasil, serão atendidos", frisou.

Muito criticado por sua gestão da pandemia da covid-19, que já matou mais de 590.000 de seus concidadãos, Bolsonaro alardeou que será o "último dos brasileiros" a se vacinar.

Sua atitude irritou do prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio. Na semana passada, ele havia pedido aos membros de todas as delegações que estivessem vacinados para assistir à Assembleia Geral da ONU. Esta é uma exigência da prefeitura para o público de qualquer atividade em ambientes fechados.

"Devemos mandar uma mensagem a todos os líderes do mundo, incluindo - e muito particularmente - Bolsonaro, do Brasil, de que aquele que desejar vir tem que estar vacinado, porque todos deveríamos estar seguros juntos", disse De Blasio na véspera.

Bolsonaro defendeu o "tratamento inicial" contra o coronavírus, apesar de não haver qualquer comprovação científica de sua eficácia.

"Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial", afirmou, referindo-se ao período em que contraiu a covid-19.

Em seu discurso, apresentou a imagem de um Brasil idílico, "sem corrupção", com a "credibilidade recuperada" e com a melhor política ambiental.

Nas palavras de seu presidente, O Brasil "se apresenta como um dos melhores destinos para investimentos".

"Temos tudo o que investidor procura: um grande mercado consumidor, excelentes ativos, tradição de respeito a contratos e confiança no nosso governo", alegou.

"Qual país do mundo tem uma política de preservação ambiental como a nossa?", questionou, após assegurar que o desmatamento na Amazônia caiu 32% em agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado.

A despeito de sua fala, no entanto, evidências - como o monitoramento feito por imagens de satélite, - mostram o contrário: que o desmatamento na Amazônia teve um preocupante aumento durante seu governo.

Por último, após reiterar sua fé cristã, afirmou que "concederemos visto humanitário para cristãos, mulheres, crianças e juízes afegãos".

Conforme a tradição, Bolsonaro foi o primeiro a falar na Assembleia, logo após o discurso de inauguração do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. Na sequência, seguiu-se o pronunciamento do presidente do país anfitrião, Joe Biden.

af/yo/tt

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