Mundo ganhou um bilionário a cada 26 horas na pandemia

De acordo com os dados levantados pela Oxfam, fortuna dos dez mais ricos mais que dobrou e mundo ganhou novo bilionário praticamente a cada dia (Getty Images)
De acordo com os dados levantados pela Oxfam, fortuna dos dez mais ricos mais que dobrou e mundo ganhou novo bilionário praticamente a cada dia (Getty Images)
  • Mundo ganhou um novo bilionário a cada 26 horas

  • Riqueza dos dez homens mais endinheirado mais que dobrou na pandemia

  • Brasil voltou ao patamar de 2004, com mais ricos concentrando mais renda que 60% da população

Que a pandemia prejudicou, e muito, a economia como um todo, a maioria já deve saber - e que acabou "favorecendo" uma pequena parcela da população, a mais rica, também. Mas, quando essas afirmações são mostradas em números, o choque é inevitável.

De acordo com a Oxfam, ONG que atua em mais de 90 países na busca de soluções para a pobreza e a desigualdade social, durante o período da pandemia de Covid-19, o mundo ganhou um novo bilionário praticamente a cada dia - a cada 26 horas, para ser mais exato. Além disso, a riqueza dos dez homens mais endinheirados passou de US$ 700 bilhões para US$ 1,5 trilhão - o que representa um aumento de US$ 1,3 bilhão por dia.

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Números do Brasil

Falando especificamente do Brasil, o relatório mostrou que um pequeno grupo formado por 55 pessoas detém riqueza total de nada menos que US$ 176 bilhões (valor superior a R$ 970 bi) - um crescimento de 30% na pandemia. Além disso, é válido ressaltar que o país ainda ganhou dez novos bilionários de março de 2020 para cá. O que deixa mais do que evidente a grande desigualdade presente. Afinal, a riqueza somada dos 20 mais ricos no Brasil é superior a de 128 milhões de brasileiros (cerca de 60% da população). Um retrocesso, de acordo com a Oxfam, a patamares de 2004.

“A Desigualdade Mata”

O relatório da ONG, intitulado com o nome acima, também revelou que essa alta concentração de renda - por um pequeno grupo mais rico - contribui para a morte de pelo menos 21 mil pessoas por dia no mundo. Seja por meio da falta de acesso à saúde pública, violência de gênero, fome e crise climática, a conta feita pela Oxfam ainda é considerada conservadora. Além disso, o documento aponta para o fato de que a pandemia atingiu grupos raciais de maneira desigual - com a maior parte das mortes por Covid-19 se concentrando nas periferias, com pessoas negras tendo uma vez e meia mais chance de morrer do que as pessoas brancas, no Brasil.

Os mais ricos

Ao mesmo tempo que a pequena elite mundial - formada por 2.755 bilionários - viu sua fortuna crescer durante a pandemia, 99% da população global registrou queda em sua renda; enquanto mais de 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza no mesmo período. Fazem parte dessa seleta lista com muito dinheiro: Elon Musk, da montadora Tesla, de carros elétricos; Jeff Bezos, da gigante do varejo Amazon; Bernard Arnault & família, um dos controladores do grupo LVMH, com 75 marcas; Bill Gates, da Microsoft; Larry Ellison, da Oracle; Larry Page e Sergey Brin, ambos do Google; Mark Zuckerberg, do Facebook; Steve Ballmer, também da Microsoft; e o megainvestidor Warren Buffet.

De acordo com Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, em entrevista ao jornal O Globo, "se os dez homens mais ricos do mundo perdessem 99,99% de sua riqueza amanhã, eles continuariam mais ricos do que 99% de todas as pessoas do planeta. Eles têm hoje seis vezes mais riqueza do que os 3,1 bilhões mais pobres do mundo".