Na ponte entre o rio e lisboa, Valonia Veras lança coleções que combinam com as duas cidades e festejam o manual

Lívia Breves
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Entre as recordações da vida, a estilista Valonia Veras, de 36 anos, tem uma em especial: o gosto da avó pelas roupas sob medida feitas por seu alfaiate, com modelagens especiais, botões diferentes e ombreiras elegantes. Herdeira dessa paixão pelos detalhes e pelo feito à mão, a neta decidiu cursar a faculdade de Moda na Veiga de Almeida. Passou por marcas como Farm (onde começou como vendedora e chegou à estilista) e Animale até se mudar, em 2017, para Lisboa, quando foi, ao lado do marido, João Marcus Cavalcanti, abrir a galeria de arte Eritage, no bairro mais cool da cidade, Janela Verdes. “Quando cheguei em Lisboa, decidi que lançaria a minha marca. E fui buscar uma costureira que atendesse a uma pequena produção. Bati em várias portinhas de reparos de roupas, já que as empresas maiores não aceitam pedidos pequenos. Depois de alguns ‘nãos’, encontrei a Alfaiataria Islan, do paquistanês Mohammed Ameen, que virou meu braço direito em Portugal”, conta ela.

Naquele mesmo ano, Valonia lançou sua coleção de estreia, batizada de Calmaria, pensada para o verão europeu, mas com a descontração da carioca em detalhes como botões feitos de búzios e bordados. “Mirei no mercado português e atingi o brasileiro. Como postei no Instagram, minhas amigas começaram a pedir para eu vender para o Brasil. Tive que enviar tanta roupa que decidi lançar a coleção no Rio também. Hoje, 70% da produção é vendida para as brasileiras. As coleções têm peças clássicas com bossa, modelagens sempre confortáveis e sofisticadas. Adoro contar histórias, então, tudo tem um pensamento, um conceito por trás”, comenta.

Em seguida, vieram as coleções Memórias, Naturaleza e, a que acaba de ser lançada, Ritos de Passagem, com peças fluidas de linho, botões em formato de lua e bordados delicados. Hoje, Valonia tem pontos de venda tanto lá (as multimarcas Pau Brasil, em Lisboa, e Caju, na Comporta, além da própria galeria Eritage) quanto cá (Pitanga, no Rio, e Pinga, em São Paulo). E também vende para todo o país via e-commerce. “As roupas não viajam mais. Apoio as duas economias e produzo em Lisboa e no Rio”, diz ela, que, geralmente, lança primeiro a coleção na Europa. “Por conta da pandemia, estendi minha temporada no Rio e lancei aqui primeiro. Em maio, as peças chegam ao mercado português. Elas já estão ansiosas”, comenta Valonia.