Na reabertura, academias têm filas de 'marombeiros' e de clientes querendo cancelar planos

Pedro Zuazo
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Fila em frente a academia na Lapa

Uma fileira de pessoas com roupas de ginástica na calçada da Rua Riachuelo chamou atenção de quem passava pela Lapa, ontem. Eram "marombeiros" contando os minutos para curar a abstinência da musculação. No primeiro dia de funcionamento das academias, houve fila nas portas dos estabelecimentos, que adotaram um esquema de agendamento dos clientes por faixas de horário para evitar aglomeração. Mas também teve gente que, após suar de tanto tentar cancelar o plano durante a quarentena, correu para a porta da academia na esperança de aliviar esse "peso" das finanças.

— Eu estava fazendo musculação em casa, mesmo. Até comprei pesos novos e instalei uma barra fixa no corredor. Mas não é igual à academia. Agendei logo que abriram os horários. Eu costumo malhar em outra unidade, mas como meu plano tem flexibilidade decidi vir um pouquinho mais longe — diz o contador Érico Luiz Valperto, de 38 anos, que malhou ontem em uma unidade da SmartFit na Barra da Tijuca.

O sentimento foi diferente para o estudante universitário Ricardo Giorgio, de 20 anos. Após meses sem frequentar a academia, ele acordou cedo amanhã e se encaminhou até a unidade da SmartFit na Tijuca com outro objetivo: de cancelar o plano.

— Fiquei meia hora na fila para conseguir cancelar. Tinha umas 20 pessoas fazendo o mesmo. Tem muita gente insatisfeita com o relacionamento que eles têm com os clientes — afirmou.

Procurada, a SmartFit não respondeu aos questionamentos até a última atualização dessa reportagem. Nas redes sociais da rede de academias, onde multiplicam-se as reclamações referentes a cancelamento de planos, uma cliente recebeu a seguinte resposta: "Infelizmente não temos como operacionalizar o cancelamento no momento, pois ele deve ser realizado diretamente em uma unidade". Na mesma mensagem, o SAC da SmartFit afirma que está implementando "as orientações determinadas no manual de segurança da ACAD (Associação Brasileira das Academias), chancelado pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), que traz diversas sugestões de procedimentos para ajudar na prevenção contra a disseminação da COVID-19 nas academias, além de seguir a regulamentação de cada município".

Regras rígidas

No novo normal das academias, não espere ver cinco pessoas revezando um aparelho de musculação. Muito menos salas lotadas durante aulas coletivas. Para respeitar as "regras de ouro" da Prefeitura do Rio e evitar que a retomada das atividades físicas resulte em um aumento dos casos do novo coronavírus, as unidades adotaram regras rígidas de distanciamento e medidas sanitárias.

No caso da rede Bodytech, foi adotado o agendamento prévio dos clientes e o reposicionamento de equipamentos para respeitar a distância mínima recomendada. A rede também criou um protocolo detalhado para nortear o retorno às atividades. O objetivo é conseguir já nos primeiros dias de operação o Selo de Conformidade da prefeitura, concedido a estabelecimentos que respeitam as regras.

— O desafio do novo mercado é conquistar a sensação de segurança do cliente. Não adianta ter um produto bom com a sensação de segurança ruim. É a certeza de estar num ambiente seguro que vai fazer o cliente voltar e indicar amigos. Mesmo nas unidades que funcionam dentro do shopping, onde há aferição de temperatura na entrada, vamos aferir novamente a temperatura dos clientes ao entrarem na academia. Todos os equipamentos estão demarcados garantindo a distância de dois metros dos clientes. Há múltiplos polos de álcool em gel, e a equipe de limpeza está orientada a higienizar os equipamentos após cada uso — explica Marcelo Vianna, diretor de operações da Bodytech.

Nas áreas de circulação, o distanciamento mínimo entre as pessoas será de dois metros. Já a capacidade total da academia será reduzida de forma que haja seis metros quadrados por pessoa, considerando a área total do estabelecimento. O revezamento de equipamentos de musculação será proibido, e os clientes serão orientados a higienizar equipamentos e armários antes e depois do uso. As aulas coletivas não vão retornar num primeiro momento. Quando retornarem, será evitado o contato físico. Saunas, spas e espaços para crianças vão permanecer fechados. Lanchonetes e lojas de roupas dentro de academias voltarão a funcionar no dia 14, desde que estejam em conformidade com as regras da prefeitura.