Na RedeTV!, Bolsonaro cita dados falsos sobre desemprego, fome e preço da gasolina

Jair Bolsonaro em sabatina da RedeTV!, em 1º de setembro de 2022 (Foto: YouTube / Reprodução)
Jair Bolsonaro em sabatina da RedeTV!, em 1º de setembro de 2022 (Foto: YouTube / Reprodução)
  • Na última quinta-feira (1º), Jair Bolsonaro participou de uma sabatina na RedeTV!

  • O presidente tratou de temas como desemprego, fome e preço da gasolina

  • No entanto, ele utilizou dados falsos ao falar sobre esses assuntos

Na última quinta-feira (1º), o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) participou na Rede TV! de uma sabatina. Na ocasião, o presidente tratou sobre diversos temas, dentre eles, desemprego, fome e preço da gasolina.

Confira as declarações do presidente checadas pelo Yahoo! Notícias.

Jair Bolsonaro em sabatina da RedeTV!, em 1º de setembro de 2022 (Foto: YouTube / Reprodução)
Jair Bolsonaro em sabatina da RedeTV!, em 1º de setembro de 2022 (Foto: YouTube / Reprodução)

Desemprego

"A exemplo do que aconteceu em 2014 e 2015, sem qualquer trauma no Brasil a não ser a corrupção, se perdeu 3 milhões de empregos"

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), em sabatina da RedeTV! em 1º de setembro de 2022

O número mencionado pelo presidente na sabatina é exagerado. Na verdade, entre 2014 e 2015, foram perdidos cerca de 888 mil empregos formais. O dado foi obtido a partir da comparação dos resultados apresentados na Rais (Relação Anual das Informações Sociais) de 2020.

Em 2014, foram criados pouco mais de 623 postos de empregos. Já em 2015, houve uma redução de 1,5 milhão. Sendo assim, o saldo negativo foi de 888 mil e não 3 milhões.

Fome no Brasil

"Nós [no Brasil] garantimos a nossa segurança alimentar"

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), em sabatina da RedeTV! em 1º de setembro de 2022

É falso que a segurança alimentar esteja garantida no Brasil. Segundo dados da Rede PENSSAN (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), no final de 2020, 55,2% dos domicílios brasileiros tinham moradores com algum grau de insegurança alimentar.

Segundo a Rede, 116,8 milhões de pessoas conviviam com insegurança alimentar no período, sendo que 19 milhões sofriam com a fome. No último ano antes de Bolsonaro assumir a presidência, em 2018, a insegurança alimentar atingia cerca de 37%.

No mesmo sentido, uma pesquisa da FGV Social com dados do Gallup World Poll, revelou que a insegurança alimentar cresceu nos últimos anos.

O número de brasileiros atingidos pelo problema saltou de 17% em 2014 para 30% em 2019, primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro. Já em 2021, agravada pela pandemia de covid-19, a insegurança alimentar subiu para 36%. A média brasileira chegou a superar pela primeira vez a global, de 35%.

Preço da gasolina

"A gasolina, na maioria dos postos do Brasil, já está abaixo de R$ 5"

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), em sabatina da RedeTV! em 1º de setembro de 2022

De acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e da CEPEA/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo) reunidos pela Petrobras, o preço médio do litro da gasolina entre 21 de agosto de 27 de agosto foi de R$ 5,25.

Os únicos estados cuja média de preço da gasolina comum não superou os R$ 5 foram Amapá e Sergipe. Nos estados, o combustível custou R$ 4,84 e R$ 4,96, respectivamente. Os valores constam no Levantamento de Preços de Combustíveis de agosto feito pela ANP.

As declarações do presidente também foram analisadas pela Agência Lupa.