Na reta final, verão dá as caras em SP e temperatura chega a 31°C

MATHEUS MOREIRA
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 13.10.2017 - Pedestres se refrescam em São Paulo sob termômetro que marca 34ºC. (Foto: Reinaldo Canato/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A duas semanas do fim do verão, o calor dá as caras em São Paulo e as temperaturas devem ficar em torno de 30°C.

De acordo com a previsão do Climatempo para os últimos 15 dias da estação, as máximas na capital paulista devem variar entre 26°C e 31°C.

O calor na reta final do verão contrasta com o restante da estação, iniciada em 22 de dezembro, que trouxe chuva e até algum frio, com direito a um evento extremo em fevereiro, quando a capital do estado teve um dia de caos, com alagamentos das marginais, moradores ilhados e serviços públicos suspensos.

O Carnaval também não trouxe o sol e o calor esperados. Março não deixou para menos, e nos primeiros dias do mês a chuva veio forte de novo.

Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo na última semana mostrou que o clima em São Paulo sofreu profundas mudanças nos últimos 60 anos: chuvas intensas estão mais comuns, mas longos períodos secos também aparecem mais, e a temperatura está quase 3ºC mais alta hoje (dependendo da forma de medição).

Os dados, coletados no Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), e pesquisadores indicam que a cidade enfrentará cada vez mais desafios na saúde pública, com mais mortes relacionadas a doenças cardíacas, por exemplo, que são mais comuns nas ondas de calor. E sofrerá cada vez mais problemas de infraestrutura, com mais alagamentos em alguns períodos e falta d'água em outros.

A chuva é um dos grandes exemplos da mudança no clima em São Paulo no período. Até 1980, a cidade havia enfrentado apenas um evento com mais de 100 mm em um dia. Na década de 2010, foram seis.

Por outro lado, os períodos sem chuva estão cada vez maiores. A década de 1960 começou com período de até 15 dias sem precipitação em alguns anos. Nesta década mais recente, já se chegou a 51 dias secos, em 2012.

Após sequência de estiagens, a cidade sofreu com a crise hídrica de 2014, quando reservatórios chegaram a operar com 10% da capacidade, levando a racionamentos.

Os dados do Inmet, que vão de 1961 a 2019 e são coletadas na zona norte, mostram também mudança no padrão de temperatura.