Na Superterça, Joe Biden levou maioria dos votos dos que decidiram na última hora

Pedro Doria

Joe Biden teve, na Superterça, uma noite extraordinária naquela que pode se tornar uma virada eleitoral histórica. Segundo a avaliação dos especialistas do site Five Thirty Eight, assim como do New York Times, ele é o novo favorito, ultrapassando o senador Bernie Sanders na corrida pela candidatura à presidência americana do Partido Democrata. O vice de Barack Obama venceu em nove dos 14 estados em disputa, em alguns deles sem nem ter visitado para fazer campanha.

A Superterça nasceu nos anos 1980, quando um conjunto de cinco estados sulistas decidiu realizar suas primárias no mesmo dia. Como Iowa, New Hampshire, Nevada e Carolina do Sul sempre saíam em primeiro, terminavam ditando que candidatos seriam competitivos. Juntando forças num mesmo dia, aqueles cinco punham tantos delegados em disputa simultaneamente que terminaram ganhando outro status. Se tornaram relevantes. Ontem, a Superterça mostrou para o que serve.

Biden venceu, e por amplas margens, os estados do Sul. Lá, o eleitorado negro é grande e tem preferência pelo vice de Obama. Mas ele também venceu em Massachussetts, estado da também candidata Elizabeth Warren, e com perfil mais parecido com o de Sanders. Outra vitória importante foi em Minnesota, um estado do Meio-Oeste. Um dos argumentos de campanha de Sanders é, justamente, que ele conseguiria conversar melhor com eleitores desta região. E, principalmente, Biden ganhou, apesar da margem estreita, no Texas, cuja distribuição demográfica se assemelha ao conjunto dos EUA, com brancos, negros e latinos em várias faixas de renda.

O mais importante é que Biden levou 47% dos votos daqueles que decidiram na última hora. Sanders levou 19% destes, segundo pesquisa da NBC. Indício de que os eleitores democratas podem estar consolidando sua opinião a respeito de que perfil tem mais chances de vencer Donald Trump.

A corrida, agora, claramente tem só dois com chances: Biden e Sanders.