Na véspera da Cúpula do Clima, Xi aceita convite de Biden e confirma presença

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio a um cenário de crescente competitividade entre os EUA e a China, o dirigente chinês, Xi Jinping, aceitou o convite do americano Joe Biden e confirmou presença na Cúpula do Clima, marcando a primeira reunião entre os dois líderes desde que o democrata assumiu a Casa Branca. Biden convidou 40 das principais lideranças mundiais para participar do encontro virtual de dois dias que começa nesta quinta-feira (22). Xi dará sua contribuição ao evento por meio de um vídeo e fará um "discurso importante", segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores chinês. China e EUA lideram a lista dos principais emissores de gases causadores do efeito estufa, de modo que um entendimento entre os dois países é crucial para o sucesso dos esforços internacionais para a redução de emissões de carbono. A participação do dirigente chinês, no entanto, ainda era incerta devido a uma persistente série de conflitos de interesses com os americanos. Washington tem feito, por exemplo, duras críticas à política de Pequim em relação aos direitos humanos, às liberdades individuais e à influência econômica sobre outras nações. No mês passado, diplomatas americanos e chineses se encontraram no Alasca para debater itens da disputa geopolítica central do século 21. Foram as primeiras conversas entre membros do alto escalão de cada governo, mas o encontro não rendeu avanços. De um lado, os americanos acusaram a China de ameaçar a estabilidade global; do outro, os chineses disseram que os EUA precisam abandonar a "mentalidade de Guerra Fria" e parar de interferir em problemas internos de outros países. A expectativa é que, durante a Cúpula do Clima, esses interesses divergentes possam ser colocados, tanto quanto possível, à parte, em nome de um objetivo comum de combate às mudanças climáticas. Na semana passada, ambos os países deram sinais da disposição para o diálogo, ao menos nesse aspecto. Após visita do enviado americano para o clima, John Kerry, a Xangai, onde ele se reuniu com Xie Zhenhua, seu homólogo chinês, as duas nações se comprometeram a "cooperar bilateralmente e com outros países para enfrentar a crise do clima". Às vésperas do encontro, a China fez cobranças públicas aos EUA, enquanto Xi ampliava cooperações com a Europa por meio de reuniões com Emmanuel Macron, da França, e Angela Merkel, da Alemanha. Na ocasião, Lijian Zhao, porta-voz da diplomacia chinesa, disse que o retorno dos EUA ao Acordo de Paris --uma promessa cumprida da campanha de Biden- não era "uma volta gloriosa" mas um "mau aluno voltando às aulas depois de ter sido reprovado em um curso". Em editoral, o jornal Global Times, ligado ao Partido Comunista Chinês, disse ainda que "os Estados Unidos não têm autoridade moral ou poder real para dar ordens à China em questões ambientais". A saída do Acordo de Paris foi uma decisão do ex-presidente Donald Trump, para quem a redução das emissões prejudicaria a economia americana. Os EUA voltaram ao pacto em janeiro deste ano, no primeiro dia do governo de Biden, que colocou o combate às mudanças climáticas como uma de suas prioridades. Além de Xi Jinping, estão na lista de convidados da Cúpula do Clima o presidente Jair Bolsonaro (Brasil), Vladimir Putin (Rússia), Ursula von der Leyen (Comissão Europeia), Emmanuel Macron (França), Andrés Manuel López Obrador (México), Alberto Fernández (Argentina), Sebastián Piñera (Chile), Iván Duque (Colômbia), Angela Merkel (Alemanha), Boris Johnson (Reino Unido), Narendra Modi (Índia) e Binyamin Netanyahu (Israel), entre outros. Mesmo em uma área em que os EUA estão entre os maiores poluentes do mundo, o governo americano quer mostrar que está de volta à liderança global, distanciando-se do isolacionismo e do negacionismo de Trump. Biden quer mobilizar financiamento público e privado para impulsionar a transição energética dos países e ajudar nações vulneráveis a lidar com impactos climáticos. A reunião também é um caminho preparatório para a conferência das Nações Unidas para a biodiversidade (COP15), marcada para outubro, na China, e para a conferência do clima (COP26), prevista para novembro em Glasgow, na Escócia. O esforço das cúpulas visa cumprir metas estabelecidas no Acordo de Paris, que prevê contenção do aumento do aquecimento global entre 1,5ºC até 2ºC.