Na véspera de novas restrições, moradores de Ribeirão Preto lotam supermercados

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RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Num dia em que Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) bateu recorde de pacientes internados em UTIs com diagnóstico de Covid-19, supermercados ficaram cheios o dia todo, com filas de carrinhos e consumidores nas portas e movimentação atípica para uma quarta-feira, enquanto algumas das principais ruas do comércio também tiveram movimento acima do normal.

O cenário ocorreu porque esta quarta (26) foi o último dia de abertura presencial de comércio e serviços na semana, já que medidas restritivas impostas pela prefeitura suspenderão o transporte coletivo e fecharão os quatro shoppings da cidade, restaurantes, bares e supermercados (que podem atender por delivery) para tentar conter a disseminação do coronavírus.

"Não tenho o hábito de pedir compras pelo WhatsApp, prefiro ver o que estou comprando", disse a aposentada Madalena Garcez, que, num supermercado no Jardim Paulista, comprava itens básicos, como arroz, feijão, macarrão e óleo.

Por mais que os estabelecimentos estejam adotando medidas como aferição de temperatura ou borrifem álcool nas mãos dos clientes e nos carrinhos de compras, dentro das lojas eram visíveis aglomerações em alguns setores.

Inicialmente, as restrições valerão somente por cinco dias, até a próxima segunda-feira (31), mas consumidores disseram temer uma prorrogação das medidas e quiseram garantir alimentos para suas casas por um prazo maior.

"A gente não sabe se serão só cinco dias, porque a situação está muito feia. Todo dia tem gente morrendo", disse a florista Maria Amélia Damasceno.

O movimento nas unidades cresceu na segunda-feira (24), quando o prefeito Duarte Nogueira (PSDB) anunciou no final da tarde as medidas restritivas. À noite já havia filas em hipermercados, movimento que se acentuou na terça (25) e teve ainda mais força nesta quarta.

As restrições não chegam a ser um novo lockdown, como a cidade viveu em março --também com duração de cinco dias--, mas as medidas foram consideradas duras demais por entidades comerciais, que protestaram.

Também estão proibidos de funcionar estabelecimentos escolares, templos religiosos, parques, academias, oficinas mecânicas e salões de beleza.

O transporte coletivo urbano só funciona até esta quarta e, mesmo assim, operou de forma precária, já que motoristas fizeram greve entre segunda e terça para exigir a vacinação da categoria contra a Covid-19 e contra o atraso no pagamento do vale mensal. A prefeitura iniciou na terça o agendamento da categoria.

A cidade tem 301 leitos exclusivos para Covid-19 ocupados e quatro hospitais sem vagas. No decorrer do dia, os hospitais chegaram a ter 307 internados em UTIs e 319 pessoas em enfermarias.

Na terça, foram registradas 27 mortes por Covid-19 na cidade e, nesta quarta, outras 19, o que elevou o total para 2.132 desde o início da pandemia.

Em menos de cinco meses completos, a cidade já registrou em 2021 1.089 mortes em decorrência da Covid, contra 1.043 em todo o ano passado. A Secretaria da Saúde atribui o aumento à circulação na cidade da variante P.1, considerada mais agressiva.

Além dos consumidores que compravam alimentos básicos, havia também nos supermercados jovens comprando fardos de cerveja. "Não sei se a gente se reunirá, mas somos poucos amigos, e todos nos cuidamos. Vou levar a cerveja por garantia", disse o estudante Radamés Assis.

Apesar do movimento intenso, consumidores disseram que agora houve menos tumulto no comércio do que em março, já que a prefeitura fez o anúncio do fechamento dos supermercados com três dias de antecedência. No lockdown, o anúncio ocorreu na véspera.

Devido ao lockdown de março, a cidade chegou a ter queda de 45% em relação às semanas anteriores na procura de pacientes com suspeita de Covid-19 nas unidades de atendimento da prefeitura. No entanto voltou a registrar alta de casos e internações nas últimas semanas.

Na segunda-feira, a prefeitura definirá novas medidas em relação às restrições na cidade, chamadas de fase emergencial restritiva. Dependendo do cenário, poderá flexibilizar atividades ou prorrogar a validade das atuais medidas e até mesmo ampliar o total de setores atingidos pelas limitações de funcionamento.

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