Na virada do Flamengo, Gerson acusa jogador do Bahia de injúria racial

O Globo
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O Flamengo venceu o Bahia por 4 a 3, neste domingo, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, mas as polêmicas não se limitaram apenas ao campo e bola. Após a partida, o volante Gerson deixou o gramado reclamando de uma injúria racial do atleta colombiano Ramirez, do Bahia.

— Jogo muito difícil desde os dez minutos do primeiro tempo. Perdemos um jogador muito importante, mas o time foi forte. Tomamos a virada, não desistimos e corremos atrás da vitória. Quero falar uma coisa: tenho muitos jogos como profissional e nunca vim falar nada porque nunca sofri esse preconceito. Quando tomamos um gol, o Bruno Henrique ia chutar uma bola, o Ramirez reclamou e fui falar com ele, que disse: "Cala a boca, negro". E o Mano precisa aprender a respeitar as pessoas — declarou Gerson.

O lance aconteceu no segundo tempo da partida, quando o Flamengo vencia por 2 a 1. Nas imagens, Gerson aparece inconformado e tirando satisfação com o atleta colombiano. Na hora, o volante do Flamengo contesta:

"Ei, ele me chamou de negro", reclamou.

Posteriormente, também discutiu com o técnico Mano Menezes.

"Ele é jovem, vai aprender", disse Mano, em áudio captado pelo Premiere.

Como foi o jogo

A perseguição à liderança pressupõe resiliência. É uma palavra que está na moda, mas resume bem o ingrediente principal da atuação do Flamengo diante do Bahia no Maracanã. Poderia ter jogado a toalha e abdicado do jogo quando Gabigol foi expulso aos nove minutos de jogo. Poderia ter sucumbido mentalmente quando levou uma virada a galope no começo do segundo tempo. Mas a capacidade de reinvenção dentro de um jogo que ficou encardido dá ares épicos à vitória por 4 a 3.

Ao concretizar a virada aos 44 minutos do segundo tempo, o Flamengo manteve ao alcance das próprias mãos o título brasileiro. Ainda que a distância para o líder São Paulo seja de cinco pontos, o Fla tem um jogo a menos e lá na frente há um confronto direto com o tricolor.

Obviamente, vitórias de virada com um jogador a menos durante a maior parte do tempo são fruto de construções coletivas. Vitinho foi o autor do quarto gol, mas a história foi longa até lá. E outros nomes merecem ser enumerados: Bruno Henrique, Pedro e Diego Alves, que salvou bolas importantes.