Na volta às aulas, alunos são aplaudidos em escola na Zona Norte do Rio por apoiadores da reabertura

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Aplausos para alunos na escola Tia Paula

Uma cena inusitada chamou a atenção de quem passava em frente à escola particular Tia Paula, em Madureira, na manhã desta quarta-feira. Os alunos que chegavam à unidade eram recebidos pelos aplausos de pais e funcionários de outros colégios particulares, que ainda não abriram. Embora a prefeitura tenha autorizado o retorno dos alunos para as turmas de 4º, 5º, 8º e 9º anos do ensino fundamental, o governo do estado prorrogou a restrição de funcionamento das escolas, inclusive da rede privada, até o dia 20. Em meio à confusão, muitas escolas continuam sem saber a quem devem obedecer.

Coordenadora da escola Giz, na Tijuca, Angélica Brago foi uma das que aplaudiu a chegada dos alunos. De acordo com ela, a manifestação de apoio à abertura da unidade foi organizada em um grupo de WhatsApp que reúne gestores de diversas escolas particulares da cidade.

— Fizemos essa manifestação de apoio à Tia Paula para que outras escolas tenham coragem de tomar a mesma iniciativa. Apesar dessa confusão entre as autoridades, as escolas particulares estão preparadas e com os protocolos em dia. A gente já fez até treinamento com os funcionários para o retorno. Se as escolas continuarem fechadas, muitas vão fechar. Os pais já começaram a ir para os seus trabalhos e não têm com quem deixar os filhos. Muitos estão desesperados, sem saber o que fazer — diz Brago.

No segundo dia de aula na Tia Paula — a escola também abriu na terça-feira —, a adesão foi um pouco menor. Compareceram apenas dois alunos do 4º ano e quatro alunos do 5º ano. De acordo com a proprietária do estabelecimento, Paula Elisa Piumato Pinna, alguns pais ficaram receosos por causa da decisão do governo do estado de prorrogar as medidas que determinam o fechamento de escolas, inclusive particulares.

— Uma mãe veio desesperada porque viu a reportagem na TV e achou que a filha dela não poderia ficar aqui. Ela é mãe solteira, mora sozinha, e não poderia trabalhar hoje porque não teria com quem deixar a criança — conta a proprietária.

Para atender às regras de outro da prefeitura, o colégio fez um investimento de R$ 20 mil apenas em higienização. A escola, que embora seja particular atende a famílias de baixo poder aquisitivo, também instalou adesivos no chão para sinalizar o distanciamento e reposicionou as carteiras dentro das salas.

— A escola é de pequeno porte e fica numa área pobre, mas tenho certeza que muitas escolas de áreas mais nobres não se prepararam com a gente se preparou para essa reabertura — diz a proprietária da escola.

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