Na volta às aulas, veja a melhor maneira de preparar o espaço de estudos e lazer da criança dentro de casa

Bernardo Yoneshigue
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Uma das principais mudanças trazidas pela pandemia foi o estudo on-line. Agora, com o retorno às aulas — em muitas escolas ainda com modelo híbrido ou com opção de seguir virtualmente —, nunca foi tão importante se dedicar para tornar agradável e funcional o ambiente de estudos da criança em casa. Afinal, já estamos há mais de um ano neste modelo: está difícil seguir com “gambiarras”. Por isso, o EXTRA ouviu especialistas no assunto que deram dicas de como arrumar o cantinho para deixá-lo divertido e organizado.

Guilherme Galvão, da GG Arquitetura, explica que o mais importante é o espaço ter a cara da criança. Em seu projeto para um menino de seis anos, por exemplo, a mesa foi feita em um tamanho apropriado e é encaixada em uma outra de tamanho normal. Assim, quando ele crescer, o ambiente já estará adaptado para ele:

— A criança tem que pensar que aquilo foi feito para ela, isso a estimula para estudar porque ela sabe que aquele é o seu cantinho. Foi projetado para isso.

Para a arquiteta Ana Cano Milman, uma boa dica para que a criança se interesse pelo local é fazer um ambiente em que tudo fique ao seu alcance:

— Pensar na independência dada à criança é importante. Tudo que é muito necessário deve ficar de fácil acesso. Lápis e papéis sobre a bancada, gaveteiro em uma altura fácil e com rodinhas, tornando o espaço leve.

Os especialistas destacam que deve-se ter em mente que as crianças crescem. Por isso, investir em decorações muito infantis pode não ser uma boa ideia:

— O quarto deve ser pensado para servir em qualquer idade, o que muda são os objetos que evoluem conforme o crescimento dele — explica a arquiteta Lucilia Mesquita.

Para começar do zero, a arquiteta Lucilia Mesquita explica que o primeiro passo é ter uma bancada com a altura padrão de 75 centímetros, uma cadeira confortável, que pode ser estofada ou de telinha, e uma iluminação adequada para estudos.

Ela explica que, em seus projetos, costuma utilizar lâmpadas de 3.000K a 3.500K, e que a posição ideal para a luz é sempre em direção à mesa de estudos.

Em casos de ambientes com iluminação central, a arquiteta fala que uma luminária de mesa pode ser uma boa ideia para deixar o cantinho sempre iluminado.

— Só é preciso escolher peças que tenham uma cúpula, para evitar o ofuscamento e a fadiga visual das crianças — aconselha Lucilia.

A arquiteta Carmen Zaccaro também deu dicas para tornar o cantinho mais apropriado para estudos. Ela indica usar gavetas e gaveteiros, às vezes com divisões internas, e investir em prateleiras para livros e brinquedos.

Caixas com rodízios, painéis com cabideiros e portas deslizantes também funcionam para evitar a bagunça:

— O fundamental é a organização. Planejar o espaço para equipamentos, objetos e material. Separar as coisas de estudos das de lazer.

Os especialistas explicam que este hábito de deixar as coisas organizadas também deve ser desenvolvido pela própria criança. Para isso, Carmen sugere acessórios gerenciadores de tarefas, como quadros risque rabisque e imantados — que funcionam como o quadro branco.

Já a arquiteta Ana Cano Milman diz que uma mesa com espaço ajuda a criança a desenvolver autonomia.

Uma bancada livre é essencial, pois ela poderá se sentir à vontade para colocar livros, cadernos e, depois, organizar por conta própria, criando autonomia — sugere Ana Cano