Na volta do horário eleitoral, Crivella apela à pandemia na disputa pela reeleição, e Paes faz propostas para a Saúde

Luiz Ernesto Magalhães
·3 minuto de leitura

RIO — O coronavírus virou tema da campanha de Marcelo Crivella (Republicanos) na volta do horário eleitoral na tarde desta sexta-feira na TV. Candidato à reeleição, Crivella apelou para o discurso que esse não seria o momento de arriscar e trocar o comando da cidade porque como prefeito mostrou ter enfrentado a pandemia de forma eficaz e a cidade pode enfrentar uma segunda onda da doença.

Eduardo Paes (Democratas), por sua vez, iniciou seu programa com ironias ao atual prefeito, a quem já havia chamado de ‘’Pai da Mentira’’, no debate da TV Bandeirantes, na noite de quinta-feira, em uma citação bíblica comparando o adversário ao diabo. A campanha de Paes começou sua propaganda caracterizando Crivella como o personagem fictício Willy Wonka, dono da Chocolate Factory, do filme "A Fantástica Fábrica de Chocolate". O ex-prefeito chama a propaganda do adversário de "A Fantástica Fábrica de Fake News".

Crivella lembrou que a prefeitura do Rio, além de comprar respiradores e outros equipamentos com antecedência, chegou a emprestar respiradores para 25 municípios e o governo do Estado. Na verdade, esses eram aparelhos mais antigos, substituídos da rede pública pelos novos aparelhos.

Na linha do apelo emocional para dar continuidade ao governo, o programa reproduziu depoimentos de vários pacientes que foram tratados no hospital de campanha do Riocentro e do Hospital Ronaldo Gazolla (Acari) que conseguiram superar a doença. Imagens de arquivo em que Crivella aparece ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltaram a ser exibidas nesta tarde. Mas por um tempo muito menor.rivella argumentou que fez o melhor que pode na prefeitura. E voltou a afirmar, como tem dito ao longo de toda a campanha que herdou dívidas de Paes, cujo governo teria sidom marcado pela corrupção e obras superfaturadas.

— Mas a prefeitura não quebrou. E eu enfrentei incêndios e deslizamentos (durante o governo) — disse Crivella.

A candidata a vice, Andrea Firmo (Republicanos) também apareceu no programa eleitoral, como forma de atrair o voto feminino. E repetiu o discurso que o enfrentamento da pandemia exige continuidade na gestão:

— Estamos no meio de uma pandemia. É como em um avião. Não podemos trocar o piloto no meio da turbulência — disse a candidata a vice de Crivella.

No horário eleitoral, Paes voltou a reforçar a mensagem de que Marcelo Crivella mentiria para a população:

— O povo do Rio de Janeiro conviveu com quatro anos de mentiras. Mas a cidade é resiliente. O Crivella não vai conseguir destruir o Rio. Eueremos que o Rio esteja acima de disputas políticas e ideológicas — disse Paes.

Além de atacar Crivella, o programa teve três focos. Boa parte da propaganda tratou de promessas de mais investimentos em Saúde, com a recontratação de cinco mil profissionais - dos quais mil médicos -para recompor os quadros de equipes de Saúde da Família, extintas na gestão do rival. A pandemia foi lembrada: o candidato disse que é necessário preparar a rede para quando a vacina contra o vírus estiver disponível eessa será uma de suas prioridades nos primeiros cem dias de governo. Paes também lembrou uma reunião de 2018 no Palácio da Cidade, na qual Crivella promteu facilitar o acesso de pastores evangélicos a cirurgias e outros serviços de saúde.

Para ilustrar a questão da saúde, Paes focou nos idosos, público, que segundo as pesquisas ele é bem avaliado e tem boa parte de seus eleitores. No programa, o candidato trouxe o depoimento de uma senhora, moradora da Maré, que reclama da piora do atendimento na rede de Saúde na gestão Crivella e que ‘’isso não era coisa de Cristão’’. O candidato também focou nas minorias, ao lembrar que nesta sexta-feira se celebra O Dia da Consciência Negra.