Na Zona Oeste, coronavírus mata mais jovens do que no resto do Rio

Rafael Galdo
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Circulação de pessoas no calçadão de Campo Grande
Circulação de pessoas no calçadão de Campo Grande

RIO - A Zona Oeste, uma das áreas da cidade em que o isolamento social enfrenta mais resistência, já começa a sofrer as consequências das constantes aglomerações. Com 36 mortos, Bangu se tornou ontem o segundo bairro com mais óbitos por Covid-19 em toda a cidade, ficando atrás apenas de Copacabana, primeira no ranking, com 37. Campo Grande vem logo atrás: é o terceiro em número de vítimas fatais (34). Realengo já registra 27 mortos, e Santa Cruz, 24. Na capital, segundo os últimos dados, já são 7.283 doentes, com 670 perdas para o novo coronavírus. No estado, são 11.139 ocorrências, com 1.019 óbitos.

Enquanto a cresce a preocupação com as consequências da doença na Zona Oeste, as cenas de aglomeração continuam se repetindo. Ontem, em Campo Grande, as filas em frente a agências da Caixa Econômica, de pessoas em busca do auxílio de R$ 600 do governo federal, reuniam centenas de pessoas. No fim de semana, segundo dados do Centro de Operações (COR) da prefeitura, em conjunto com a operadora de telefonia TIM, bairros da região ficaram entre os que registraram maiores picos de pessoas nas ruas.

No sábado, Santa Cruz teve a quinta aglomeração mais intensa da cidade, com 4,3 mil pessoas circulando num mesmo horário. Já anteontem, foi a vez de Santíssimo aparecer nessa lista: teve a quarta maior quantidade de gente amontoada, 3,4 mil pessoas.

No próprio domingo, o prefeito Marcelo Crivella chegou a cogitar o fechamento de vias importantes da região, como os calçadões de Bangu e Campo Grande. Ao menos por enquanto, o município informa que a medida será a utilização de 300 câmeras do COR e a parceria com a TIM para identificar os locais de aglomeração. A partir das informações, equipes do Disk Aglomeração irão aos locais para recomendar o distanciamento social e o uso de máscaras.

A Zona Oeste tem também outra característica diferente do resto da cidade. A área de Santa Cruz, Paciência e Sepetiba (AP 5.3) é aúnica do Rio em que a maioria das vítimas não é idosa. Nesses bairros, as pessoas com 60 anos ou mais representavam cerca de 36% dos mortos, contra um percentual de 69,7% na cidade. Para se ter ideia da diferença, na Zona Sul, por exemplo, esse índice era 81,3%