Nadal é campeão de novo em Roland Garros, mas lesão traz dúvida: até quando?

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É como um eclipse, fenômeno mais recorrente do que tentam nos convencer e que, ainda assim, provoca certa comoção e boa dose de deslumbramento. No tênis, o céu é o saibro de Paris, e a lua (ou o sol) tem o formato de um touro. Aconteceu de novo. Pela 14ª vez num intervalo de 18 anos que o universo consideraria irrisório, Rafael Nadal ergueu a taça de Roland Garros. Seu observador mais próximo, o norueguês Casper Ruud, sequer precisou de binóculo para enxergar bem o que ele preferiria nunca testemunhar.

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Alguns minutos depois, o espanhol agradeceria ao público da Philippe Chatrier pelo apoio de sempre e diria não ser capaz de descrever o que estava sentindo. São variações das mesmas palavras articuladas por ele nos últimos anos, sem que as de agora sejam menos verdadeiras que as de antes.

Pode ter sido a última vez — não do eclipse, já que o próximo acontecerá ainda este ano, mas do homem que mais vezes conquistou Grand Slams, 22, no palco onde festejou a maior parte deles. É que, diferentemente do universo, Rafael Nadal não nos pode prometer a eternidade. Pelo contrário, seu fim como atleta está tão próximo que é inútil pensar em medidas protetivas. Seja no próximo ano ou daqui a três, não estaremos prontos. O buraco negro, neste caso, vem de dentro e também atende se chamado por síndrome de Müller-Weiss, doença degenerativa que transformou o pé esquerdo do tenista em um problema crônico.

Por conta dele, o espanhol jogou a decisão com o membro anestesiado. Também por ele, não deve competir em Wimbledon, daqui a três semanas. Este ano, excepcionalmente em virtude do veto a atletas russos e bielorrussos, o torneio de grama não contará pontos para o ranking da ATP.

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Atentar-se a essa circunstância permite observar o eclipse de um ângulo diferente, que o olho nu fixado no placar é incapaz de absorver. Sim, as parciais de 6/3, 6/3 e 6/0 em 2h18 indicam uma partida mais tranquila do que se imaginaria de uma final de Grand Slam. Mas só para os que ignoram que, antes de derrotar o adversário do outro lado da quadra, o espanhol de 36 anos recém-completados precisou superar a si mesmo. Depois de admitir, dias atrás, que trocaria o título por um pé novo, Nadal evitou falar em aposentadoria, mas deixou claro que não suportará por muito tempo a tortura que lhe tem atrapalhado mesmo nas pequenas atividades rotineiras.

— Não posso continuar competindo com o pé dormente, preciso encontrar uma solução. Na próxima semana, vou conversar com vários médicos e analisar diversas opções. Receberei um tratamento de radiofrequência e espero que ajude a diminuir a dor. Meu médico já administrou várias injeções nos nervos do pé. Estou jogando sem dor, mas sem sensações — descreve o tenista. — Não sei o que acontecerá no futuro, mas seguirei lutando para continuar.

Para os que somos incapazes de dimensionar tamanho calvário, resta a contemplação das principais virtudes de um atleta que combina tenacidade e coração como poucas vezes se viu na história do esporte. E que, por isso, detém o recorde de 22 slams de simples no circuito masculino, agora com dois além de Roger Federer, outro a caminho da aposentadoria, e Novak Djokovic, que conserva boa quantidade de lenha para queimar. Se consideradas também as mulheres, o espanhol está empatado com Steffi Graff e mais perto de Serena Williams (23) e Margaret Court (24).

— Não jogarei em Wimbledon tomando anti-inflamatórios. Se o tratamento não funcionar, me perguntarei se estou pronto para fazer uma cirurgia que não garantirá que eu seja competitivo e da qual eu demoraria muito a retornar. Tenho que conversar comigo mesmo e tomar uma decisão de vida. Ficar parado meio ano sem garantia, não sei... — despista.

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