Não é toda grávida: entenda como vai funcionar vacinação em SP

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No estado de São Paulo, a partir de 11 de maio, poderão se vacinar grávidas com comorbidades, assim como puérperas com comobridades (Foto: Getty Images)
No estado de São Paulo, a partir de 11 de maio, poderão se vacinar grávidas com comorbidades, assim como puérperas com comobridades (Foto: Getty Images)
  • Em SP, grávidas com comorbidades e puérperas com comobridades podem se vacinar contra a covid-19

  • Todas devem ter mais de 18 anos

  • Mulheres contempladas devem apresentar comprovante de comorbidades

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que grávidas e puérperas (que tiveram filho nos últimos 45 dias) poderão começar a se vacinar contra a covid-19 no estado. Mas, por enquanto, não é uma vacinação ampla. Começarão a ser vacinadas mulheres grávidas e puérperas com comorbidades, acima de 18 anos.

A vacinação dessas mulheres começa no dia 11 de maio. As grávidas com comobidades e mais de 18 anos devem comprovar o estado gestacional, com documentos como o carteira de acompanhamento e ou pré-natal, além do laudo médico. Para as puérperas, é necessário apresentar a declaração de nascimento da criança.

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Além disso, as mulheres que se enquadram na vacinação, devem apresentar um comprovante da condição de risco por meio de exames, receitas, relatório ou prescrição médica.

Saiba quais as comorbidades estão contempladas no Plano Nacional de Imunização:

  • Doenças cardiovasculares

  • Insuficiência cardíaca

  • Cor-pulmonale e hipertensão pulmonar

  • Cardiopatia hipertensa

  • Síndrome coronarianas

  • Volvopatias

  • Miocardiopatias e pericardiopatias

  • Doença de Aorta, dos Grandes Vasos e Fistolas arteriovenosas

  • Arritmias cardíacas

  • Cardiopatias congênitas no adulto

  • Próteses valvares e dispositivos cardiacos implantados

  • Diabetes mellitus

  • Pneumopatias crônicas graves

  • Hipertensão arterial resistente

  • Hipertensão arterial estágio 3

  • Hipertensão estágios 1 e 2 com lesão e órgão alvo

  • Doença cerebrovascular

  • Doença renal crônica

  • Imunossuprimidos

  • Anemia falciforme

  • Obesidade mórbida

  • Cirrose hepática

  • HIV 

Confira o calendário de vacinação contra a covid em SP:

  • 6 de maio: 60, 61 e 62 anos

  • 10 de maio: pessoas com Sindrome de Down, Imunossiprimidas pacientes transplantados, pacientes renais em terapia

  • 11 de maio: metroviários e ferroviários; gestantes e puérperas com comorbidades; pessoas com deficiência permanente entre 55 e 59 anos

  • 12 de maio: pessoas com comorbidades entre 55 e 59 anos

  • 18 de maio: motoristas e cobradores de ônibus

Grávidas no PNI 

O Ministério da Saúde divulgou uma nota técnica em 26 de abril incluindo mulheres grávida e puérperas (no período pós-parto) no grupo prioritário da vacinação contra a covid-19. O puerpério é considerado o período de 45 a 60 dias após o nascimento do bebê.

Antes, eram prioridade mulheres nesses grupos com comorbidades. Segundo a pasta, mesmo com a inclusão, as mulheres grávidas e puérperas com doenças pré-existentes devem ser vacinadas antes. Em seguida, o novo grupo pode começar a receber o imunizante.

O Ministério considera “altamente provável” que o benefício de grávidas e puérperas tomarem vacina seja muito maior do que os riscos oferecidos pelas vacinas contra a covid-19. “Portanto, o Programa Nacional de Imunizações [...] decidiu por recomendar a vacinação contra a Covid-19 de todas as gestantes e puérperas e incluí-las nos grupos prioritários para vacinação”, alega a pasta.

Grávidas, lactantes e puérperas podem de vacinar contra a covid-19? 

A Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) respondeu perguntas importantes sobre a imunização dessas mulheres.

As perguntas que serão respondidas são:

  1. Gestantes, puérperas e lactantes podem tomar vacina contra a covid-19?

  2. Gestantes e puérperas estão mais suscetíveis a serem contagiadas pelo coronavírus que outras pessoas?

  3. Gestantes, puérperas e lactantes já podem se vacinar?

  4. Puérperas devem parar de amamentar, caso sejam vacinadas?

  5. Gestantes participaram dos estudos clínicos das vacinas?

  6. Se uma mulher toma a primeira dose e, antes da segunda, descobre que está grávida, deve tomar a segunda dose?

  7. Mesmo vacinadas, gestantes, puérperas e lactantes devem manter os cuidados contra a covid-19?

Gestantes, puérperas e lactantes podem tomar vacina contra a covid-19?

Sim, mas devem fazer uma avaliação médica.

Sociedades internacionais recomendaram que essas mulheres (gestantes, puérperas e lactantes) possam, sim, receber a vacina – especialmente se forem profissionais da saúde ou se tiverem comorbidades.

Indicações no Brasil

No Brasil, a Comissão de Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia recomenda que as mulheres nesses grupos consultem especialistas para avaliar os riscos e benefícios de tomar o imunizante contra a covid-19. O Ministério da Saúde segue a mesma recomendação, de avaliação junto a um médico.

As vacinas usadas no Brasil, CoronaVac e Oxford/AstraZeneca, são recomendáveis para mulheres gestantes, puérperas e lactantes.

O Ministério da Saúde, no Plano Nacional de Imunização, liberou que com comorbidades que possam ser vacinadas. Estão incluídas:

  • Diabetes

  • Hipertensão arterial crônica

  • Obesidade (IMC igual a 30 ou maior)

  • Doença cardiovascular

  • Asma brônquica

  • Imunossuprimidas

  • Transplantadas

  • Doenças renais crônicas

  • Doenças autoimunes

Gestantes e puérperas estão mais suscetíveis a serem contagiadas pelo coronavírus que outras pessoas?

Sim.

Segundo especialistas, gestantes tem maior predisposição às infecções virais. Há estudos que comprovam que grávidas com covid-19 apresentaram maior risco de necessidade de internação hospitalar, de desenvolver quadros graves, de precisarem de um leito de UTI e de necessidade de ventilação mecânica.

Consequentemente, mulheres gestantes teriam mais chance de morrer, caso contraiam a covid-19.

Os dados do Brasil também mostram que o número de mortes por covid-19 em mulheres gestantes ou puérperas é elevado. Por isso, essas mulheres são consideradas parte do grupo de maior risco. De acordo com o documento da SOGESP, 75% das mortes maternas por covid-19 no mundo aconteceram no Brasil.

Gestantes, puérperas e lactantes já podem se vacinar?

Depende.

As medidas permitem a vacinação das mulheres inclusas nestes grupos, mas isso não quer dizer que todas elas já possam se vacinar. O plano de vacinação varia entre estados e municípios. Devem ser seguidos os calendários regionais de imunização.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, já podem ser imunizadas mulheres grávidas, puérperas e lactantes com mais de 18 anos que sejam profissionais da saúde.

É importante que profissionais da saúde se vacinem contra a covid-19, mas a escolhe é da mulher. Ela não pode ser obrigada a se vacinar.

Puérperas devem parar de amamentar, caso sejam vacinadas?

Não.

Especialistas afirmam que a suspensão da amamentação não é recomendada, mesmo que a lactante receba a vacina contra a covid-19.

Vacinação não deve interromper amamentação (Foto: Getty Images)
Vacinação não deve interromper amamentação (Foto: Getty Images)

Gestantes participaram dos estudos clínicos das vacinas?

Não.

Mulheres grávidas e que haviam tido filhos recentemente não participaram dos estudos clínicos do desenvolvimento da vacina. As informações que a ciência tem sobre a eficácia dos imunizantes são decorrentes da vacinação de mulheres que não sabiam que estavam grávidas.

Cerca de 30 mil mulheres grávidas foram vacinadas com imunizante da Pfizer e da Moderna. Os estudos mostraram que este grupo não teve eventos adversos mais relevantes que o restante dos imunizados.

Sociedades internacionais, como o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG), a Sociedade de Medicina Materno-Fetal (SMFM), o Royal College e o Instituto Nacional de Saúde (NIH-EUA) afirmam que é importante que gestantes e lactantes sejam incluídas nos estudos clínicos para avaliar como essas mulheres reagem à vacina e entender qual a eficácia e a segurança dos imunizantes.

Se uma mulher toma a primeira dose e, antes da segunda, descobre que está grávida, deve tomar a segunda dose?

Sim.

A recomendação é que a mulher tome as duas doses da vacina, mesmo que engravide entre uma dose e outra.

Mesmo vacinadas, gestantes, puérperas e lactantes devem manter os cuidados contra a covid-19?

Sim.

O Ministério da Saúde liberou uma norma técnica que recomenda que gestantes e puérperas sejam afastadas do trabalho presenciais devido aos riscos da covid-19 para essas mulheres.

É essencial continuar mantendo o distanciamento social, usando máscara e lavando as mãos.

Mesmo vacinadas, mulheres grávidas, puérperas e lactantes devem seguir tomando os cuidados recomendados contra a covid-19 (Foto: Getty Images)
Mesmo vacinadas, mulheres grávidas, puérperas e lactantes devem seguir tomando os cuidados recomendados contra a covid-19 (Foto: Getty Images)

O documento foi elaborado por três profissionais da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo:

  • Silvana Maria Quintana, professora associada do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e Coordenadora Científica de Obstetrícia da SOGESP;

  • Rossana Pulcineli Vieira Francisco, professora associada do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e Coordenadora Presidente da SOGESP;

  • Geraldo Duarte, professor titular do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e Membro Titular do Conselho de Ética e Conduta da SOGESP.

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