"Não errei nenhuma"? Há um ano, Bolsonaro previa 800 mortes por covid no Brasil

Anita Efraim
·3 minuto de leitura
  • Em 22 de março de 2020, Bolsonaro disse que menos de 800 pessoas morreria de covid-19 no Brasil

  • País está perto de alcançar marca de 300 mil mortes pela doença

  • Presidente afirmou que "não errou nenhum" durante a pandemia

Há um ano, em 22 de março de 2020, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez um pronunciamento a respeito da covid-19. Na ocasião, ele comparou a doença ao H1N1, a gripe suína, e fez uma “previsão”: nem 800 pessoas morreriam por serem contagiadas pelo coronavírus.

“O número de pessoas que morreram de H1N1 no ano passado foram na órbita de 800 pessoas, a previsão é não chegar a essa quantidade de óbitos no tocante ao coronavírus”, disse o presidente da República na ocasião.

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Nesta semana, a previsão é que o Brasil ultrapassa a marca de 300 mil mortes pela covid-19. Ainda assim, liderando a média de casos diários no mundo, Bolsonaro já repetiu em diversas ocasiões que “não errou nenhuma previsão”.

Em 1º de março, o presidente disse a apoiadores: “Desculpe aí, pessoal, não vou falar de mim, mas eu não errei nenhuma desde março do ano passado. E não precisa ser inteligente para entender isso. Tem que ter um mínimo de caráter. Agora só quem não tem caráter que joga o contrário”.

Dois dias depois de dizer que menos de 800 pessoas morreriam de covid, Bolsonaro fez um pronunciamento em rede nacional. Foi quando chamou a doença de “gripezinha” e citou o “histórico de atleta”.

"Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria acometido, quando muito, de uma gripezinha ou resfriadinho", afirmou o presidente na ocasião.

"Só deus me tira daqui"

Em meio à queda de popularidade e a inúmeros pedidos de abertura de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar a atuação do governo no combate à Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo que “só Deus” o tira do cargo. A declaração foi dada diante de uma pequena multidão que se aglomerou em frente ao Palácio da Alvorada para lhe homenagear por seu aniversário. Bolsonaro faz 66 anos de idade no último domingo.

"Enquanto eu for presidente, só Deus me tira daqui" afirmou o presidente.

Oposição de banqueiros e economistas

Uma carta assinada por centenas de banqueiros e economistas será entregue nesta segunda-feira ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Nela, o grupo pede ações mais efetivas no combate à pandemia de covid-19.

Entre os responsáveis pelo texto, estão Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, co-presidentes do conselho de administração do Itaú Unibanco; Edmar Bacha, um dos idealizadores do Plano Real; Sandra Rios, diretora no Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes); Felipe Salto, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado; entre outros.

Na carta, os economistas e banqueiros vão de encontro aos argumentos utilizados por Bolsonaro para posicionar-se contra medidas mais rígidas de afastamento social, como o lockdown. Eles garantem que foi criado “um falso dilema entre salvar vidas e garantir o sustento da população vulnerável”.

Dados preliminares de óbitos e desempenho econômico sugerem que os países com pior desempenho econômico tiveram mais óbitos de Covid-19. A experiência mostrou que mesmo países que optaram inicialmente por evitar o lockdown terminaram por adotá-lo, em formas variadas, diante do agravamento da pandemia – é o caso do Reino Unido, por exemplo. Estudos mostraram que diante da aceleração de novos casos, a população responde ficando mais avessa ao risco sanitário, aumentando o isolamento voluntário e levando à queda no consumo das famílias mesmo antes ou sem que medidas restritivas formais sejam adotadas. A recuperação econômica, por sua vez, é lenta e depende da retomada de confiança e maior previsibilidade da situação de saúde no país. Logo, não é razoável esperar a recuperação da atividade econômica em uma epidemia descontrolada”, apontam.