'Não estou interessado nessa discussão de segunda instância', diz Lula

Julgamento do STF sobre prisão em 2ª instância pode libertar o ex-presidente (Foto: AP Photo/Andre Penner)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • O ex-presidente quer que o STF o declare inocente e anule seus processos

  • Lula repete que não vai aceitar o regime semiaberto

Na véspera do julgamento do STF sobre prisões na segunda instância que pode resultar um sua liberdade, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ao UOL que não está interessado nessa discussão: “Não estou reivindicando essa discussão de segunda instância. Eu estou interessado na minha inocência.”

Para o petista, o STF deve declarar sua inocência e anular os processos da Operação Lava Jato que o envolvem:

“O que quero é que os ministros da Suprema Corte tenham acesso à verdade do processo, aos inquéritos mentirosos da Polícia Federal, do Ministério Público, liderado pelo Dallagnol, pelo mentiroso do Moro, na sentença, e anulem esses processos. É a única coisa que me interessa. Se vai ser um ano a mais ou um ano a menos, se vou ficar aqui ou em outro lugar, não importa. Nada me interessa a não ser a minha inocência.”

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Lula reiterou, também, que não vai aceitar a progressão de regime para o semiaberto. E negou que essa resistência seja um cálculo político: “É apenas uma questão de dignidade”, afirmou o ex-presidente. Sua defesa precisa apresentar um posicionamento sobre o assunto até sexta-feira (18):

“Eu não estou aqui para trocar a minha dignidade pela minha liberdade. Veja, quem precisa de progressão é quem foi condenado, culpado. ‘Confesso que fui culpado’ - e então ele aceita uma progressão da pena. Eu não quero progressão da pena, quero a minha inocência.”

Ele também voltou a criticar a atuação da Operação, dizendo que “a Lava Jato se transformou numa quadrilha” e acusando os integrantes da força-tarefa de trabalharem em prol do Departamento de Justiça dos Estados Unidos:

“Na Lava Jato o crime compensa. Porque muitos que roubaram fizeram a delação, ficaram com metade do que roubaram, estão vivendo muito bem da vida. Como não roubei, como não cometi crime, como não cometi nenhum ilícito, não quero favor. Não quero pena, quero a minha inocência. É a única coisa que aceito. Vai demorar 50 anos? Vai. A minha bisneta vai um dia ouvir uma sentença de que o bisavô dela era um homem de bem, era honesto e não devia nada para a Justiça.”

Na entrevista, Lula também criticou o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro:

“Se o Conselho Nacional do Ministério Público fizer valer a sua existência, o cidadão tem que ser exonerado, não promovido. O Moro é a mesma coisa. De vez em quando, eu vejo entrevistas do Moro. Ele dá entrevista para você e não olha nos seus olhos porque ele sabe que está mentindo.”