Não existe fórmula mágica para inclusão

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Uma bengala toca o chao e atras dela uma pessoa anda com sapato preto
Nunca se esqueça de que pessoas com deficiência possuem suas preferências individuais (Foto: Getty Images)

Já pensou se houvesse uma resposta pronta e fácil para a inclusão de pessoas com deficiência? Eu adoraria se isso fosse possível, porque dessa forma eu não precisaria elaborar meus argumentos, ouvir, conversar, produzir conteúdo, repensar estratégias.

Os métodos que hoje existem para criação de produtos e serviços acessíveis servem para atender o maior número de pessoas. Mas não a totalidade da população - seja ela com ou sem deficiência. É esse o raciocínio perigoso: achar que soluções fáceis para problemas complexos servirão para todo mundo.

Vamos pensar em um exemplo simples: temos um recurso que se chama audiodescrição. De forma bem sucinta, é narrar, com base em diretrizes técnicas da área, cenas visuais para quem não enxerga ou pode ter alguma dificuldade de compreensão daquele conteúdo.

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Nos cinemas, existe um aparelho externo para ter acesso a esse recurso. Mas nas redes sociais, por exemplo, ainda não existe um segundo canal de áudio. E aí, qual é o correto: deixar o vídeo com audiodescrição para todo mundo ou criar uma segunda versão?

A resposta a essa pergunta sempre será depende. Depende se é uma grande empresa ou uma pessoa comum, depende do objetivo com aquele material, depende da quantidade de conteúdo publicado por aquele perfil.

Podemos aplicar o mesmo raciocínio para situações mais práticas do dia a dia. Existe uma forma correta e infalível para se aproximar e guiar uma pessoa cega? Não. Mas existem boas práticas e recomendações de especialistas na área.

Eu posso te dizer que, nesse caso, o mais indicado é que a pessoa cega segure no seu cotovelo, no antebraço ou no ombro. Mas não posso te falar que todas as pessoas preferem de um jeito ou de outro. Percebe a diferença?

Nunca se esqueça de que pessoas com deficiência possuem suas preferências individuais. Eu prefiro segurar no antebraço, principalmente quando é uma pessoa muito mais alta do que eu. Mas se for do meu tamanho ou menor, não me incomodo em segurar no ombro. Há quem pense diferente.

“Mas desse jeito fica muito difícil saber qual é o certo”, dirão alguns. Eu tenho uma resposta para os angustiados de plantão. Só não garanto que ela servirá para todos os casos. Eu não tenho um método milagroso para todas as situações.

A dica que eu te daria é: saiba ouvir. Escute seu amigo, colega de trabalho ou aluno para saber como ele prefere ser auxiliado e se realmente precisa de alguma ajuda. Busque opiniões de especialistas na área e outras experiências. Realize treinamentos para capacitação de funcionários dentro das empresas e instituições.

Por fim, entenda que temos uma deficiência, mas antes de tudo somos estudantes, amigos, namorados, colegas de trabalho e cidadãos comuns, assim como você.

Existem boas práticas e recomendações para nos incluir, mas elas não são verdades absolutas. Elas dependem do contexto, do ambiente e das nossas individualidades. Portanto: abandone as soluções fáceis e as fórmulas mágicas.

Descrição da imagem: Uma bengala vermelha e branca toca um chão de paralelepípedos. Atrás da bengala há o pé de uma pessoa usando um sapato preto.

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