Não foi fato isolado: relembre outros casos de racismo e violência envolvendo o Carrefour

Anita Efraim
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Corpo de representante de vendas que morreu enquanto trabalhava unidade do Carrefour no Recife foi coberto com guarda-sóis -  Foto: Reprodução/Redes Sociais
Corpo de representante de vendas que morreu enquanto trabalhava unidade do Carrefour no Recife foi coberto com guarda-sóis - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Na noite da última quinta-feira, 19, dois seguranças brancos do supermercado Carrefour espancaram e mataram João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos. O caso aconteceu no bairro Passo d’Areia em Porto Alegre. Os responsáveis pelo crime foram detidos.

O ocorrido não é um caso isolado de violação aos direitos humanos envolvendo a rede de supermercados. Há outros exemplos, espalhados pelo país, ao longo dos últimos anos, que levam o Carrefour a ser alvo de críticas.

Relembre:

CORPO ESCONDIDO

O caso mais recente havia sido em agosto de 2020. Em uma loja em Recife, o corpo de um colaborador foi escondido com guarda-sóis, tapumes e caixas. Moisés Santos sofreu um infarto enquanto trabalhava no estabelecimento no bairro Torre, na capital pernambucana.

Moisés Santos sofreu um mal súbito às 8h e o SAMU foi acionado, mas não chegou a tempo. O corpo do colaborador só foi retirado às 11h. No meio tempo, o corpo de Moisés foi escondido e a loja continuou funcionando normalmente.

O Carrefour pediu desculpas na ocasião e disse que errou ao manter o estabelecimento funcionando.

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DEMISSÃO APÓS DENUNCIA DE RACISMO

Em julho de 2020, uma auxiliar de cozinha negra foi demitida depois de denunciar um caso de racismo e intolerância religiosa em uma unidade do Atacadão, hipermercado que faz parte do Grupo Carrefour. O caso aconteceu na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Nataly Ventura, de 31 anos, relatou à GloboNews que foi ofendida por um funcionário do local, Jeferson Emanuel Nascimento, por ser negra e do candomblé. Ao ser demitida, a justificativa foi de que a funcionária havia “se envolvido em situações de conflito com outros funcionários”.

Segundo informações do Ministério Público do Trabalho, revelada pela GloboNews, Jeferson teria escrito “só para branco usar” em um avental. Ele assinou a mensagem. O MPT entrou com uma ação contra o hipermercado.

Na ocasião, o Atacadão disse à emissora que abriu uma sindicância para apurar o que havia ocorrido. Jeferson Emanuel Nascimento foi desligado.

AGRESSÃO DENTRO DA LOJA

Um cliente do Carrefour no bairro Demarchi, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, foi agredido por seguranças depois de abrir uma lava de cerveja dentro da loja. O caso aconteceu em outubro de 2018.

Vídeos das câmeras de segurança da unidade mostraram que Luís Carlos Gomes abriu a lata de cerveja e, depois, foi perseguido pelo gerente e por um segurança. Os dois o encurralaram no banheiro e deram um mata-leão no homem. O homem, que é negro e deficiente físico, alega que iria pagar pela bebida.

Luís Carlos Gomes acusou o Carrefour de racismo e pediu indenização de R$ 200 mil. A empresa divulgou uma nota em que dizia sentir “profundamente pela situação a qual nosso cliente foi submetido e informa que, logo após rigorosa apuração, os colaboradores envolvidos foram desligados. A rede repudia veementemente qualquer tipo de violência e reforça que, constantemente, realiza treinamentos e reorienta suas equipes, a partir da prática do respeito que exige dos seus colaboradores e prestadores de serviço. A empresa esclarece ainda que permanece colaborando com as investigações."

LIMITE DE VEZES PARA IR AO BANHEIRO

Em agosto de 2018, a 5ª Vara do Trabalho de Osasco proibiu que sete unidades do Carrefour controlassem a ida de funcionários ao banheiro. A decisão foi uma resposta após uma ação civil pública do Sindicato dos Comerciantes de Osasco e Região.

A entidade explicou que operadores de atendimento e de telemarketing tinham de registrar o nome em uma fila eletrônica para poderem ir ao banheiro. Em caso de urgência, um superior deveria ser avisado.

Na decisão, a juíza responsável, Ivana Meller Santana, considerava a situação degradante e constrangedora para os funcionários.

A decisão tomada era liminar e o Carrefour, na época, afirmou que iria recorrer.

TORTURA EM 2009

Um caso mais antigo, de agosto de 2009, foi quando Januário Alves de Santana, um vigilante, foi espancado e torturado no estacionamento de uma loja do Carrefour em Osasco.

Januário, um homem negro, era acusado de roubar o próprio carro. Ele esperava do lado de fora do carro quando ouviu de seguranças que era “impossível um neguinho ter um EcoSport”, segundo o G1. Cinco funcionários do Carrefour estavam envolvidos no crime.

A vítima levou cabeçadas, socos e coronhadas para “confessar” o roubo do carro, que era dele. Januário perdeu um dente e teve de passar por cirurgia.

Na época, o Carrefour divulgou uma nota para informar que os funcionários envolvidos foram afastados. A empresa ainda disse que colaborava com a investigação.