'Não levo petista': Assessora denuncia motorista por discriminação política

Motorista da Uber não parou em ponto de embarque e afirmou que não leva 'petista'. Foto: Nathan Stirk/Getty Images.
Motorista da Uber não parou em ponto de embarque e afirmou que não leva 'petista'. Foto: Nathan Stirk/Getty Images.
  • Caso aconteceu com assessora de vereadora de Belém (PA)

  • Ela havia participado de uma transmissão do lançamento da candidatura de Lula

  • Após ser chamada de petista, ela abriu um processo na Justiça

No último sábado (7), a advogada e assessora parlamentar da vereadora Livia Duarte (PSOL-PA), Amanda Larêdo, 24 anos, denunciou que sofreu discriminação política por parte de um motorista do aplicativo Uber. O relato do caso foi divulgado no Twitter, onde viralizou.

Segundo a assessora, ela estava na no Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores em Belém, no Pará, para a transmissão do evento da pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois do evento, ela foi com dois amigos até um restaurante no bairro da Cidade Velha, longe da sede do partido. Quando pediu um Uber para voltar para casa, segundo Amanda, o motorista passou direto pelo ponto de embarque. Ela questionou pelo bate-papo do aplicativo, ao qual ele respondeu: “não levo petista”.

“Eu vestia uma camisa vermelha, mas não estava com nenhum adereço que associasse à minha posição política. Estava com dois amigos e um deles vestia a camisa com o rosto de Lula, mas o carro era apenas para mim. Precisava do carro, mas não da humilhação por uma presunção de que eu seria petista. Não sou”, disse em entrevista ao jornal O Globo.

Eles trocaram mensagens até o motorista cancelar a corrida. A assessora então entrou em contato com a Uber para denunciar o caso. Ela disse que a empresa afirmou que irá "tomar as medidas necessárias para que isso não volte a acontecer" e que o colaborador pode ser notificado por violação dos Termos de Uso ou até banido "em caso de reincidência".

A advogada ficou insatisfeita com a resposta e decidiu entrar com uma ação judicial contra a Uber. Segundo ela, é um caso de violação do direito do consumidor.

“É inaceitável recusar um passageiro por preferências políticas. Na hora fiquei sem palavras, não esperava. Meu amigo que me lembrou de printar. Hoje penso que poderia ter sido pior, imagina o que ele poderia ter feito comigo sozinha dentro do carro. Foi um livramento”, disse.

A mulher não é filiada a nenhum partido e disse que usa o aplicativo há anos. Ao jornal, a Uber disse que os motoristas têm direito a ter sua posição política, mas não podem se negar a atender um cliente em "razão de seu credo, raça, nacionalidade, religião, necessidade especial, orientação sexual, identidade de gênero, estado civil, idade ou inclinação política".

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