“Não podemos confundir matança com segurança”, diz Freixo sobre apoio a policiais

"Direitos humanos e segurança pública são a mesma coisa”, disse Freixo em sabatina - Foto: CARL DE SOUZA/AFP via Getty Images
"Direitos humanos e segurança pública são a mesma coisa”, disse Freixo em sabatina - Foto: CARL DE SOUZA/AFP via Getty Images
  • Marcelo Freixo (PSB) explica mudança de posicionamento sobre liberação das drogas;

  • Candidato ao governo do RJ também chamou a atenção para a atuação e estrutura da polícia;

  • Segundo ele, é necessário cuidar dos policiais, pois direitos humanos e segurança são a mesma coisa.

Marcelo Freixo, candidato ao governo do Rio pelo PSB, explicou que sua mudança de posicionamento sobre a liberação de drogas não é incoerente e sim fruto de conversas com a população. Ele participou, nesta terça-feira (30), de sabatina promovida pelo O Globo, Extra, Valor Econômico e CBN.

“Essa mudança passa por eu ter conseguido, ao longo de um ano e meio, conseguido conversar com as mulheres pobres, conversar com as mães, conversar com as pessoas que vivem em um lugar onde tem droga, tem arma e tem morte. Isso passa pela capacidade de escutar as pessoas e sim, mudar de opinião”, justificou. Anteriormente favorável à liberação, Freixo agora se posiciona contra.

Durante a entrevista, o candidato destacou que o tráfico “é muito perverso para os moradores”, portanto, deve ser enfrentado. A proposta é mudar a estrutura da polícia e impedir que chacinas aconteçam, tarefa que, para Freixo, cabe ao governador.

“Não podemos confundir matança com segurança. Hoje o Rio tem 8 mil policiais civis, mas o déficit é de 15 mil. Um policial ganha 12 reais de vale refeição por dia. O estado não garante plano de saúde. Armas e drogas não são produzidas na favela. Talvez, fiscalização talvez seja mais importante do que operações”, ponderou.

Questionado sobre uma possível volta da Secretaria de Segurança, Freixo afirmou que pretende criar um órgão, ligado diretamente ao governador, que abrigará as polícias Civil e Militar, a Secretaria de Administração Penitenciária e uma secretaria de Ação Social.

“O que as polícias querem é autonomia administrativa e financeira, por isso que eles temem a volta de uma Secretaria de Segurança. Nesse ponto eles estão certos. Mas tem um problema. Você não pode não ter um lugar onde política pública será construída”, explica.

"Direitos humanos e segurança pública são a mesma coisa”

Freixo chamou a atenção, na sabatina, para a situação enfrentada por jovens negros e periféricos, abordados pela polícia e vítimas de violência por conta da condição racial e social. Para contornar o problema, o candidato pretende reverter uma lógica antiga que, segundo ele, toma conta de profissionais da mesma cor que os jovens afetados.

“A gente precisa ter uma política pública que seja pedagógica. E na área de segurança pública isso é decisivo. A gente tem dois pontos essenciais para enfrentar esse drama social e racial que a gente tem hoje no Brasil. Primeiro é a formação e capacitação dessas polícias. Você precisa romper com uma lógica que vem de 1809, da própria formação dessas polícias, muitas delas formada por população negra”, apontou, acrescentando que investimento em cultura e educação é essencial para atrair jovens para as escolas.

Ele ainda se defendeu da acusação do adversário Rodrigo Neves (PDT), que levantou uma suposta omissão do candidato em relação à violação dos Direitos Humanos, citando como exemplo o massacre no Jacarezinho em sabatina com os veículos. Em resposta a isso, Freixo comentou que tem uma história “de muita luta e muitos resultados” ligada ao tema e que “direitos humanos e segurança pública são a mesma coisa”.

“Em qual país desenvolvido e democrático os direitos humanos se opõem à segurança pública? Não há”, afirmou. “[Dizem] que falar de direitos humanos é ser contra a polícia. Não, não é. A gente que cuidar da polícia”.