“Não queremos o inclusivismo”, diz ministro da Educação sobre alunos com deficiência em escolas

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Ministro da Educação, Milton Ribeiro
Ministro da Educação, Milton Ribeiro (Foto: Reprodução)
  • Ministro da Educação, Milton Ribeiro, defendeu que alunos com deficiência devem ter salas separadas dos outros estudantes

  • “Não queremos o inclusivismo”, disse ministro sobre alunos com deficiência em escolas

  • Esta é a terceira declaração de Milton Ribeiro contra a presença de crianças com deficiência em salas regulares

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, voltou a criticar, nesta semana, a inclusão de alunos com deficiência em salas regulares.

"Nós não queremos o inclusivismo, criticam essa minha terminologia, mas é essa mesmo que eu continuo a usar", afirmou em entrevista a rádio Jovem Pan, na segunda-feira (23).

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O ministro afirmou que cerca de 12% das crianças com deficiência não teriam condições de estudar junto com outros alunos sem deficiência. Segundo ele, estariam nesse grupo, cegos, surdos e alguns graus de autismo.

"Dentro desses 12% temos algumas crianças que têm problemas de visão, elas não podem estar na mesma classe. Imagina uma professora de geografia: “aqui é o rio Amazonas” para uma criança que tem deficiência visual, são elas também. Tem outras que são surdas, por exemplo, tem uma gama de crianças, tem alguns graus de autismo e tem um grupo que a gente esquece que são os superdotados, que também estão nesse grupo, que precisam de uma atenção especial", disse.

Na semana passada, o ministro já havia defendido para alunos com deficiência salas de aulas separadas do restante dos estudantes. Na quinta-feira (19), Milton Ribeiro falou que há crianças com “grau de deficiência que é impossível a convivência”. Antes, na terça (17), disse que os alunos com deficiência “atrapalham” o ensino dos demais estudantes.

O Supremo Tribunal Federal (STF) discute um decreto do presidente Jair Bolsonaro que separa as crianças com deficiência em classes especiais.

O Brasil adota desde 2008 a política de inclusão escolar e hoje cerca de 92% desses estudantes estão em salas regulares.

Declarações geraram críticas

A filha do senador Romário (PL-RJ), Ivy Faria, que tem síndrome de Down, reagiu às declarações do ministro da Educação, na semana passada.

Ivy fez duras críticas ao ministro da Educação - Foto: Reprodução/Instagram
Ivy fez duras críticas ao ministro da Educação - Foto: Reprodução/Instagram

“Eu estudo para ter um futuro e ajudar o meu país. Eu não atrapalho ninguém. Frequento uma escola regular, onde há jovens com e sem deficiência, cada um aprende no seu tempo, ninguém é igual.”, escreveu a adolescente de 16 anos, ao rebater a opinião do ministro.

“A minha presença, e a de outras pessoas com deficiência, não é ruim, muito pelo contrário, desde a escola, meus coleguinhas aprendem uma lição que parece que o Sr. não teve a oportunidade de aprender, que a diversidade faz parte da natureza humana e isso é uma riqueza.”

Ivy seguiu o pai, que chegou a trocar farpas com Milton Ribeiro pela internet. O ex-jogador afirmou que o chefe da pasta devia “tomar vergonha na cara”.

Romário considerou que “somente uma pessoa privada de inteligência, aqueles que chamamos de imbecil, pode soltar uma frase como essa”.

“Eles existem aos montes, mas não esperamos que estes ocupem o lugar de ministro da Educação de um país”, escreveu no Twitter. “O ministro da Educação faltou a muitas aulas, deixando a imbecilidade tomar o lugar da inteligência e da humanidade.”

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