"Não tenho como saber o que acontece nos ministérios", diz Bolsonaro sobre caso Covaxin

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Brazil's President Jair Bolsonaro attends a ceremony to commemorate Public Servant Day, at the Planalto Presidential Palace in Brasilia, Brazil, Wednesday, Oct. 28, 2020. (AP Photo/Eraldo Peres)
Ainda na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse a apoiadores que tem “confiança nos ministros” e não sabe de tudo o que acontece nas pastas (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)
  • O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira (28) que “não tem como saber o que acontece nos ministérios”, referindo-se ao caso da Covaxin

  • Na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse a apoiadores que tem “confiança nos ministros” e não sabe de tudo o que acontece nas pastas

  • Na CPI, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) revelou um nome que supostamente estaria envolvido no caso: o deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta segunda-feira (28) que “não tem como saber o que acontece nos ministérios”, referindo-se ao caso da vacina indiana Covaxin e às denúncias de irregularidades nos contratos de compra do imunizante.

"Eu recebo todo mundo. Ele [o deputado Luis Miranda] que apresentou [informações sobre a compra da vacina], eu nem sabia como é que estavam as tratativas da Covaxin porque são 22 ministérios. Só o ministério do Rogério Marinho [Desenvolvimento Regional] tem mais de 20 mil obras", afirmou Bolsonaro.

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Na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse a apoiadores que tem “confiança nos ministros” e não sabe de tudo o que acontece nas pastas.

"Não tenho como saber. O da Damares [Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos], o da Justiça, o da Educação. Não tenho como saber o que acontece nos ministérios, vou na confiança em cima de ministro, e nada fizemos de errado", completou.

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e seu irmão, o chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, foram ouvidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado na última sexta-feira (25). Eles são responsáveis por levar as denúncias de irregularidades e pressão para a liberação da importação da vacina Covaxin.

Na comissão, o deputado narrou uma conversa que diz ter tido Bolsonaro, em 20 de março, no momento em que foi entregar a denúncia sobre possível corrupção no governo, relacionada ao contrato da compra da vacina Covaxin.

Deputy Luis Miranda, center, arrives to testify before the Senate for an investigation into the government's management of the COVID-19 pandemic, in Brasilia, Brazil, Friday, June 25, 2021. (AP Photo/Eraldo Peres)
No domingo (27), em entrevista à Folha de S. Paulo, Luis Miranda disse que o presidente Bolsonaro teria reclamado e se mostrado desanpontado novamente com Barros (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

"Mais uma desse cara, eu não aguento mais"

Na sexta, durante depoimento à CPI da Covid, o deputado Luis Miranda revelou um nome que supostamente estaria envolvido no caso da Covaxin: o deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara dos Deputados, que teria sido citado por Bolsonaro ao ouvir a denúncia.

No domingo (27), em entrevista à Folha de S. Paulo, Luis Miranda disse que o presidente Bolsonaro teria reclamado e se mostrado desapontado novamente com Barros.

"Mais uma desse cara. Eu não aguento mais", teria dito, referindo-se a relação do líder do governo na Câmara dos Deputados com as negociações da compra da vacina indiana Covaxin, segundo o relato do deputado Luis Miranda.

Segundo o parlamentar, o presidente teria dito: "É mais um rolo desse... Você sabe quem", mas Miranda, no primeiro momento, afirmava não se lembrar do nome citado. Horas depois, disse que tratava-se do deputado Ricardo Barros, líder do governo na Câmara.

No domingo (27), Barros divulgou uma nota para rebater suspeitas apresentadas na CPI da Covid no Senado sobre a compra da vacina indiana Covaxin. "Fica evidente que não há dados concretos ou mesmo acusações objetivas, inclusive pelas entrevistas dadas no fim de semana pelos próprios irmãos Miranda", afirmou Barros.

"Assim, reafirmo minha disposição de prestar os esclarecimentos à CPI da Covid e demonstrar que não há qualquer envolvimento meu no contrato de aquisição da Covaxin", disse o deputado.

BRASILIA, BRAZIL - NOVEMBER 19: Ricardo Barros, government leader at Brazil's Lower House, and Paulo Guedes, brazilian Minister of Economy, talks before Commemorates Brazilian Flag Day amidst the coronavirus (COVID-19) pandemic at the Planalto Palace on November 19, 2020 in Brasilia. Brazil has over 5.945,000 confirmed positive cases of Coronavirus and has over 167,455 deaths. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
No domingo (27), em entrevista à Folha de S. Paulo, Luis Miranda disse que o presidente Bolsonaro teria reclamado e se mostrado desanpontado novamente com Barros (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

Na entrevista à Folha, neste domingo, Miranda afirmou que no encontro Bolsonaro recebeu recortes de notícias que citavam a Global Gestão em Saúde, empresa que recebeu R$ 20 milhões, em 2017, na gestão de Barros na Saúde, e não entregou os medicamentos prometidos.

“Esse caso aqui o Ricardo Barros está envolvido?”, questionou o presidente, segundo relato do deputado, ao ver as informações sobre a Global.

A Global é uma das sócias da Precisa Medicamentos, que fechou o contrato de R$ 1,6 bilhão para venda de 20 milhões de doses da Covaxin ao Brasil mesmo sem a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não tendo aprovado o uso do imunzante no país.

Além disso, o embaixador brasileiro na Índia, André Aranha, chegou a enviar um telegrama a Bolsonaro dizendo que havia baixa adesão à campanha de vacinação com Covaxin na Índia. Segundo ele, a vacina foi alvo de críticas dos partidos de oposição devido ao processo opaco de autorização.

"Não sei o que fazer mais"

No encontro com Bolsonaro, Miranda disse que ao confirmar a relação o presidente falou em tom de desabafo: “Não sei o que fazer mais”, teria dito. “Aí a gente fala [ao presidente]: ‘Esse caso é grave, tem de dar uma atenção a isso’. E ele solta que queria encaminhar para o DG [diretor-geral] da Polícia Federal”, disse Miranda.

Na semana passada, reportagem da Folha mostrou que Polícia Federal não encontrou registro de inquérito aberto para apurar a compra da vacina indiana Covaxin.

Possível caso de corrupção

Antes de ser ouvido na CPI, o deputado disse, no Twitter, ter alertado Bolsonaro sobre um possível caso de corrupção envolvendo a compra de vacinas Covaxin. Segundo o irmão do parlamentar, Luís Ricardo Miranda, ele estaria sendo pressionado para aprovar com mais rapidez o uso do imunizante no Brasil.

“Presidente Jair Bolsonaro, você fala tanto em Deus e permite que eu e meu irmão, sejamos atacados por tentarmos ajudar o seu governo, denunciando para o Senhor indícios de corrupção em um contrato do Ministério da Saúde! Sempre te defendi e essa é a recompensa?”, escreveu o deputado no Twitter.

Na publicação, Miranda ressaltou que, na ocasião, Bolsonaro deu o “devido tratamento ao caso” e disse que repassaria o caso à Polícia Federal no mesmo dia. Os dois irmãos serão ouvidos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid nesta sexta-feira (25).

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