Nas redes, deputados bolsonaristas atacam Barroso e anunciam representação por 'abuso de autoridade'

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Na esteira do ataque proferido pelo presidente Jair Bolsonaro contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso nesta sexta-feira, deputados bolsonaristas engrossaram o coro contrário à decisão do magistrado de determinar que o Senado instaurasse Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a atuação do governo federal na pandemia da Covid-19.

Além de articularem um pedido de impeachment contra Barroso, parlamentares anunciaram nas redes sociais que representarão na Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o ministro do STF seja investigado por "abuso de autoridade".

"Estou representando na PGR, junto com o deputado Filipe Barros (PSL-SC), contra Barroso, para que seja denunciado por abuso de autoridade", escreveu o deputado Carlos Jordy (PSL-RJ) em suas redes.

Jordy também disse que acionará a Advocacia-Geral da União para protocolar "pedido de impeachment contra o ministro por atividade político-partidária". Em paralelo à movimentação dos deputados, o senador Carlos Viana (PSD-MG) anunciou que havia iniciado a coletar assinaturas para abrir "investigação constitucional por meio de Comissão Parlamentar de Inquérito" contra Barroso.

Ao comentar a decisão do ministro do STF, o deputado Filipe Barros acusou Barroso de "agir politicamente". Em nota, o STF reiterou que as decisões da Corte seguem a Constituição, e que questionamentos "devem ser feitos nas vias recursais próprias, contribuindo para que o espírito republicano prevaleça em nosso país".

Também nas redes, o presidente Jair Bolsonaro fez uma postagem acusando Barroso de "militância política" — seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, compartilhou o mesmo vídeo. O ministro do STF Marco Aurélio Mello saiu em defesa do colega e lembrou que o pedido de CPI, além de cumprir os requisitos de objeto específico, já tinha um número de assinaturas superior ao necessário para a abertura. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), vinha resistindo à instauração.

Por conta da repercussão da decisão de Barroso, o nome do ministro chegou a figurar entre os dez assuntos mais falados do Twitter na manhã desta sexta. Ao longo do dia, também cresceu o movimento em torno da hashtag "VOUpraGUERRAcomBOLSONARO", numa reação a CPI da Pandemia.