Nas redes sociais, campanha presidencial no Chile ganha força

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Os candidatos presidenciais chilenos Gabriel Boric, Sebastián Sichel, José Antonio Kast e Yasna Provoste (AFP/Claudio REYES)

Entre programas econômicos e propostas políticas, os candidatos presidenciais no Chile não perderam o bom humor nem esconderam suas intenções de fazer todo o possível para chamar a atenção de novas audiências e indecisos, que chegam a 50% dos 15 milhões de eleitores.

São sete candidatos para o primeiro turno no domingo 21 de novembro, e independente das idades e correntes políticas dos aspirantes a substituir o conservador Sebastián Piñera, não poupam aparições, engraçadas para uns, ridículas para outros, voltadas para o eleitorado que já não consome os meios de comunicação tradicionais com propaganda eleitoral.

Além dos debates realizados nos dois meses de campanha, Facebook, Twitter, Instagram ou Tik Tok dão palco aos candidatos e suas paródias.

- Campanha sem pisar no Chile -

"Dúvida: se Parisi vencer, ele virá para o Chile ou nós iremos aos Estados Unidos?"

Este é um dos muitos memes que tem como protagonista o candidato do Partido para o Povo, Franco Parisi, de 54 anos, que não pisou no Chile durante sua campanha eleitoral - que realiza virtualmente - do estado norte-americano do Alabama.

O candidato liberal enfrenta um processo judicial no Chile que inclui supostos crimes de fraude e uma ação judicial por não pagar pensão alimentícia para dois filhos menores.

O última desembarque abortado em Santiago aconteceu em 7 de novembro, segundo ele mesmo, porque um PCR com resultado "inconclusivo" o impediu de embarcar no avião. Na noite de quarta-feira, ele anunciou que seu teste deu positivo e que por isso ficaria em quarentena por 14 dias. Assim, perderá o primeiro turno.

Ele é alvo de paródias como o único candidato "virtual" que nas últimas pesquisas se posiciona entre quarto e quinto lugar nas intenções de voto, com 8% de acordo com a empresa Criteria.

- Acrobacias políticas -

A candidata e senadora pelo partido Democracia Cristã, Yasna Provoste - terceira nas pesquisas com 9% - apareceu em um vídeo nas redes sociais fazendo uma parada de mão encostada numa porta, acrobacia que mereceu uma curtida no Twitter da ex-ginasta romena e campeã olímpica Nadia Comaneci.

"Bravo" aplaudiu a ex-ginasta naturalizada americana, mas diante da comoção que sua resposta causou, ela acabou apagando a publicação.

Apesar disso, Provoste teve tempo para responder, agradecendo Comaneci por seu interesse e acrescentando que "trabalhará duro para promover o esporte como parte de uma educação melhor".

- Danças presidenciais -

O candidato liberal governista Sebastián Sichel - que aparece entre o terceiro e o quarto lugar nas pesquisas - tem sido criticado, principalmente pelo ritmo, por publicar no Tik Tok vídeos curtos dançando várias canções, inclusive aquela que promove sua candidatura, que acompanha com uma coreografia alegre e as hashtags "#freestyle" ou "#asínomás.

- Subindo em árvores -

O candidato esquerdista de 35 anos Gabriel Boric, da coalizão Aprovo Dignidade - Frente Ampla e Partido Comunista -, que aparece como o único seguro a passar ao segundo turno no dia 19 de dezembro, começou a campanha eleitoral para as primárias presidenciais escalando uma árvore em sua cidade natal, Punta Arenas, no extremo sul do Chile.

Sua imagem, de barba e riso jovial, no alto da árvore de braços abertos é meme e pôster de seguidores e detratores do candidato mais jovem e o mais sério nas cenas escolhidas por sua campanha. Ele é um milennial falando sem esforço para sua geração.

- Ao ritmo do rap -

O outro favorito da campanha, o candidato de extrema direita José Antonio Kast, do Partido Republicano - segundo nas últimas semanas - surpreendeu ao conceder entrevista ao popular youtuber Hermann Heim, no espaço 'Caconociendonos', onde respondeu em um tom casual a várias questões pessoais e sociais nas quais o aspirante nascido na Alemanha é extremamente conservador.

Também escolheu o rap como tema de sua campanha e até dançou nas redes sociais. À medida que crescia nas pesquisas, Kast buscou se distanciar de suas características mais polêmicas: defensor da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), antiaborto em todas as circunstâncias, contra o casamento igualitário, enquanto pai de nove filhos promove a procriação como uma demonstração de fé e pertence ao movimento católico alemão Schönstatt.

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