Nas vésperas do 1º turno, Bolsonaro enfatiza deflação e “datapovo”

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante cerimônia no Conselho Nacional de Justiça em Brasília, Brasil, 30 de agosto de 2022. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante cerimônia no Conselho Nacional de Justiça em Brasília, Brasil, 30 de agosto de 2022. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Há duas semanas da eleição, a campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) pretende crescer nas intenções de votos se utilizando de temas mais positivos da sua gestão, como a deflação. O chefe do executivo também aposta que suas críticas a adversários políticos surtam efeitos na reta final para o 1º turno das eleições.

De acordo com interlocutores, a equipe que trabalha pela reeleição de Bolsonaro tem três pontos considerados essenciais para destacar na campanha do presidente. O primeiro deles diz respeito ao que eles consideram como “previsões acertadas” sobre a economia brasileira.

O resultado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ou a inflação oficial, divulgada na semana passada, por exemplo, foi motivo de comemoração do núcleo do candidato à reeleição. O índice mostra que houve deflação de 0,36% em agosto, influenciada pela queda no preço dos combustíveis. Além disso, a inflação ficou abaixo dos dois dígitos pela primeira vez em um ano.

De olho no cenário desde julho e orientado por aliados, Bolsonaro passou a “prever” deflação – oposto da inflação, que consiste na redução no preço dos produtos. Agora, segundo aliados, o presidente deve insistir nesse discurso para mostrar que a economia sempre esteve bem, apesar dos desafios enfrentados durante sua gestão, como a pandemia de Covid-19 e a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Ainda no âmbito econômico, o mandatário do Planalto também deve se empenhar em promover a redução no preço dos combustíveis, além de ressaltar a parceria com o Congresso Nacional, em especial com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Na quinta-feira (8), durante sua tradicional live semanal, Bolsonaro elogiou Lira, conhecido por ser um dos principais caciques do “Centrão”.

“[Queda no preço do] Combustível. A culpa é de quem? A culpa é do Bolsonaro. E também culpa do Arthur Lira. A dupla do combustível: Arthur Lira e Bolsonaro”, afirmou o presidente.

“Datapovo”

Comprometido em fazer desacreditar as pesquisas de intenção de voto, o chefe do Executivo federal e seus aliados devem “surfar na onda do 7 de Setembro”, como contou um auxiliar palaciano ao portal Metrópoles.

Segundo pesquisa do Instituto Ipec divulgada na segunda (5), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve 44% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro oscilou de 32% para 31%. Já a sondagem mais recente do Instituto Datafolha, publicada nesta sexta (9), indica que o petista mantém os mesmos 44% das intenções de voto em relação ao estudo realizado há uma semana; Bolsonaro, por sua vez, foi de 32% para 34%.

No levantamento do Ipespe, feito em parceria com a Associação Brasileira de Pesquisas Eleitorais (Abrapel) e divulgado nesse sábado (10), as intenções de votos para Lula não aumentaram. Ficaram em 44%, mesmo percentual verificado na última consulta, divulgada no dia 3 de setembro. Já o atual mandatário oscilou um ponto percentual, dentro da margem de erro, passando de 35% para 36%.

Os próprios integrantes da campanha do presidente admitem que ele já atingiu o teto das intenções de voto, e oscila apenas dentro da margem de erro das pesquisas. Avaliam, porém, que as manifestações feitas nos eventos em comemoração ao Bicentenário da Independência serão usadas justamente para contrapor as pesquisas de intenção de voto.

Críticas à Lula

A última aposta de Bolsonaro a menos de 25 dias das eleições já é conhecida e passou a ser explorada por ele de forma mais incisiva. O candidato à reeleição voltou a fazer uso das bravatas de que o que está em jogo é uma “luta do bem contra o mal” e que o mal, em referência ao seu principal adversário político, Lula, não deve voltar à cena.