Nasa diz que Webb pode falhar de 300 formas diferentes; confira as principais

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O telescópio James Webb, ilustração 3D
O telescópio James Webb, ilustração 3D
  • Telescópio não terá como ser consertado caso alguma falha ocorra no procedimento de desdobra

  • Quando aberto, Webb terá o tamanho de uma quadra de tênis

  • D e acordo com a NASA, no total, são 344 pontos de falhas possíveis

Lançado nesta manhã de natal (9h20 no horário de Brasília), o telescópio espacial James Webb é o mais poderoso já criado no mundo. Uma de suas principais características é o fato dele ter sido lançado ao espaço dobrado, como um origami de papel ou um transformer.

Ao todo, o telescópio quando aberto terá o tamanho de uma quadra de tênis, um peso 6,500 quilos, demorou 25 anos para ser construído e custou cerca de US$ 9,7 bilhões (R$ 54,7 bilhões)

Nos próximos dias o telescópio deverá realizar diversas manobras para desdobrar todas suas partes e ficar operante. Dentro de 26 dias ele ainda deverá realizar mais de 300 operações, como o desdobramento de partes fundamentais, como a estrutura de proteção solar e o radiador.

Com o objetivo de operar somente na faixa infravermelha de luz, espera-se que o aparelho ajude a responder questões fundamentais sobre o universo, visto que as ondas de luz mais distantes chegam até nós somente nesta faixa.

Segundo a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Canadense (CSA), criadoras do telescópio, ainda há 344 pontos onde o sistema pode falhar, sendo que nem todas contém um mecanismo reserva.

O Webb foi projetado para operar a 1,5 milhões de quilômetros da Terra sem nenhum tipo de intervenção humana, diferentemente de seu irmão famoso, o Hubble, que localizado a apenas 550 quilômetros, foi consertado e melhorado por equipes de astronautas humanos diversas vezes.

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As falhas cruciais

As principais falhas que podem ocorrer no processo de desdobramento do telescópio e o inutilizarão são três: falha na implementação da membrana de proteção solar, no espelho primário e no espelho secundário.

Membrana de proteção solar

Lá fora no espaço, um dos maiores vilões que o Webb terá de enfrentar será a radiação infravermelha que virá da Terra, do Sol e da Lua e poderá superaquecer seus componentes.

Para impedir isso, foram colocadas no telescópio cinco camadas de Kapton, um fino material prateado com propriedades termais especiais.

A proteção irá garantir uma diferença térmica de 316 °C entre seu lado quente (aquele que estará voltado para o espaço), e o seu lado frio (o que toca o telescópio).

A estrutura começará a ser implementada hoje, 3 dias após o lançamento, mas é no dia 30 que 107 mecanismos de liberação irão completar a instalação da manta.

Espelho principal

No 13º dia, o maior espelho já levado ao espaço será desdobrado. Douradas, os 18 hexágonos individuais juntos criarão uma colmeia que irá servir como as lentes do telescópio.

O processo de desdobramento é extremamente sensível, visto que qualquer erro pode ser fatal. O Hubble ficou inoperante por anos enquanto a NASA tentava consertar um erro na fabricação de seu espelho esquerdo, que ficou com uma diferença de tamanho do planejado de 1/50 de um fio de cabelo humano.

Como o Webb não poderá ser visitado por equipes humanas, qualquer arranhão de um espelho em outro pode se provar catastrófico.

Espelho secundário

Não tão chamativo quanto o espelho primário, o espelho secundário é tão importante quanto. Ancorado em 3 braços de 7,6 metros cada, esse espelho reflete a luz captada no espelho primário para o telescópio em si, onde câmeras e espectrógrafo analisarão a luz.

Essa fase deverá ocorrer 10 dias depois do lançamento. O maior desafio será garantir que os braços e os espelhos travem exatamente na posição planejada, visto que qualquer desalinhamento por menor que for pode deixar o Webb completamente disfuncional.

Confiança de que tudo vai dar certo

Segundo Patrick McNally, engenheiro aeroespacial e diretor do Laboratório de Pesquisa de Física Espacial da Universidade de Michigan, apesar do Webb ter diversos pontos únicos de falha crítica, isso não é um mau sinal.

"Um carro, por exemplo, só tem um jeito de dirigir. Se o volante falhar, não temos como manobrar o carro”, disse McNally.

É uma falha de um único ponto que aceitamos porque os fabricantes de automóveis “tornam o sistema de direção muito confiável”. Os freios, por outro lado, são apoiados por um sistema de segurança: o freio de emergência.

"Você tem que aceitar que essas falhas podem afetar o desempenho geral e o sucesso da missão", disse McNally, mas "você passa por testes de confiabilidade e análise de simulação para ter confiança de que isso não vai acontecer."

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