Nasa em Marte: acompanhe ao vivo o arriscado pouso da missão Perseverance

O Globo
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RIO — Nesta quinta-feira, chega a seu momento mais arriscado e decisivo a missão Mars 2020, da Nasa, com a aterrissagem da sonda Perseverance na superfície de Marte. Após uma jornada pelo espaço de 470 milhões de quilômetros desde que foi lançada do cabo Canaveral, na Flórida, no fim de julho de 2020, o veículo irá concluir a travessia ao entrar na atmosfera e pousar no planeta vermelho.

A transmissão ao vivo com narração do procedimento da manobra de aterrissagem da Mars 2020 poderá ser acompanhada a partir das 16h15. O expectador poderá ver o centro de controle da missão e imagens do pouso devem ser divulgadas. Acompanhe:

A previsão é que o Perseverance aterrise às 17h55 (horário de Brasília) desta quinta na Cratera de Jezero, local onde fica o leito de um lago marciano desaparecido e onde pode haver sinais de vida do passado. Isso se o veículo resistir aos “7 minutos de terror”, como é conhecida a delicada manobra de entrada na atmosfera do planeta, que implica em altos riscos para o equipamento.

O empresário brasileiro Wanderley Abreu Júnior, dono da Stormgroup, que é responsável pela compilação e transmissão de dados da missão da Nasa, diz que o projeto é uma marco na história das missões espaciais pelas novidades tecnológicas que serão testadas.

— É a missão mais ambiciosa que qualquer agência espacial já lançou pra Marte — diz Abreu Júnior — Será aterrisada mais de uma tonelada de equipamentos. Nenhuma outra missão chegou perto disso. Serão usadas 23 câmeras com altíssima resolução, de 4k e 8k, e transmitir esses dados será como passar um camelo no buraco de uma agulha.

O objetivo principal da missão de dois anos e que custou US$ 2,7 bilhões é a busca por evidências de que organismos microbianos podem ter florescido em Marte há cerca de 3 bilhões de anos, quando o planeta era mais quente, úmido e presumivelmente mais hospitaleiro à vida.

Produção de oxigênio para missões futuras

Maior e mais sofisticado do que qualquer um dos quatro veículos científicos móveis que a Nasa pousou em Marte antes dele, o Perseverance foi projetado para extrair amostras de rochas para análises futuras na Terra — os primeiros espécimes desse tipo coletados pela humanidade em outro planeta.

No ano passado, a China e os Emirados Árabes Unidos também lançaram missões para o planeta vermelho. Os chineses, cujo programa se notabiliza pela falta de informações públicas, também querem pousar em Marte com a missão Tianwen-1, lançada no dia 23 de julho e que, aliás, já enviou imagens para seus controladores.

Os objetivos conhecidos são levar uma sonda orbital para fazer a observação de Marte e um rover, que percorrerá o solo marciano. A previsão do projeto chinês é de que em maio um veículo se solte da sonda para tentar pousar na planície de Utopia, hemisfério norte de Marte.

A grande surpresa desse período movimentado na exploração de Marte fica por conta da missão Hope, dos Emirados Árabes, lançada em julho de 2020 por um foguete de fabricação japonesa. E seus objetivos são relevantes não só para os cientistas do país. A Hope Mars vai analisar durante um ano inteiro o clima na atmosfera de Marte, identificando variações diárias e sazonais.

A missão da Nasa também irá produzir oxigênio em solo marciano. O experimento pretende transformar gás carbônico da atmosfera rarefeita de Marte em oxigênio. Se bem sucedido, o projeto poderá servir para fornecer oxigênio para o consumo dos astronautas que cheguem por lá. Além disso, poderá suprir naves projetadas para fazer o caminho de volta, de Marte para a Terra, algo que, por ora, ainda não tem data para acontecer.