Nasa mostra diferença na qualidade de imagens do James Webb em relação ao Hubble

A Nasa divulga nesta terça-feira novas imagens feitas pelo James Webb, o maior telescópio espacial já construído e lançado no final do ano passado. Na segunda-feira, a agência espacial americana já havia exibido, em um breve evento na Casa Branca, com a presença do presidente americano, Joe Biden, uma imagem com “um pedaço distante do céu”, em um momento em que galáxias recém-nascidas tornavam-se visíveis apenas 600 milhões de anos após o Big Bang.

James Webb: primeiras imagens do telescópio revelam galáxias pouco após o Big Bang

A partir dos registros feitos pelo James Webb foi possível fazer uma comparação com as imagens capturadas pelo seu antecessor, e a diferença na resolução impressiona. Com o novo equipamento, os detalhes surgem com maior nitidez, sem borrões e com maior riqueza de detalhes.

Lançado em 25 de dezembro de 2021, o JWST (sigla em inglês para James Webb Space Telescope) é seis vezes maior e 100 vezes "mais poderoso" que o Hubble, lançado há 32 anos, em 1990.

US$ 10 bilhões e 25 anos para ser construído

Durante trinta anos, o telescópio Hubble forneceu visões magníficas de galáxias e nebulosas, nas quais se destacam enormes nuvens de poeira opaca. Este é o caso da famosa imagem dos "Pilares da Criação" e da espetacular "Cabeça de um Cavalo". Já o Webb consegue atravessar esses obstáculos e revelar as milhares de estrelas que estão escondidas dentro das nebulosas.

Uma das missões mais ambiciosas do telescópio Webb é estudar algumas das primeiras estrelas e galáxias que iluminaram o universo logo após o Big Bang, há 14 bilhões de anos. A imagem desta segunda-feira ainda não mostrou todo o potencial do telescópio, mas, por outro lado, provou o princípio da técnica e sugeriu o que mais pode estar por vir.

A imagem é do aglomerado de galáxias SMACS 0723, a cerca de quatro bilhões de anos-luz de distância. A imagem revela um pedaço do céu visível do Hemisfério Sul na Terra e frequentemente fotografado pelo Hubble e por outros telescópios em busca do passado profundo.

Os astrônomos usam esse aglomerado de galáxias como uma espécie de telescópio cósmico. O enorme campo gravitacional do aglomerado atua como uma lente, distorcendo e ampliando a luz de galáxias localizadas atrás dele que, de outra forma, seriam muito fracas e distantes para serem vistas.

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Imagens posteriores certamente olharão ainda mais fundo, disse Marcia Rieke, da Universidade do Arizona, que liderou a construção do NIRCam, uma das câmeras do telescópio Webb que tirou a foto. Astrônomos esperaram décadas para pôr o telescópio em órbita. O processo da concepção ao lançamento do Webb durou 25 anos e custou cerca de US$ 10 bilhões às agências espaciais americana, europeia (ESA) e canadense.

A NASA já adiantou alguns dos objetivos da primeira coleção de fotos do Webb, que mostra temas relacionados ao universo primitivo, à evolução das galáxias e ao ciclo de vida das estrelas. Além do SMACS 0723, a primeira exibição vai inclui imagens do planeta WASP-96 b, do Quinteto de Stephan (um grupo de cinco galáxias na constelação de Pégaso), da Nebulosa do Anel Sul e da Nebulosa Keel.

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Esta coleção será uma fração minúscula do que ainda está por vir. O programa de observações para o primeiro ano do telescópio já está todo ocupado, exceto por algumas horas reservadas para eventos imprevistos, como o aparecimento de cometas interestelares ou de supernovas, por exemplo.

À medida que o telescópio “recolher mais dados nos próximos anos, veremos a borda do Universo como nunca antes”, escreveu Priyamvada Natarajan, da Universidade de Yale, especialista em buracos negros e galáxias primitivas, em um e-mail da Índia para o New York Times.

Ela acrescentou: “Está além da minha imaginação mais selvagem estar vivo quando conseguimos ver a borda dos buracos negros e a borda do universo”. No evento de lançamento, o presidente americano elogiou a Nasa.

— É dificíl até imaginar— disse Biden. — É maravilhoso. É um momento histórico para a ciência e a tecnologia, para os Estados Unidos e para toda a humanidade.

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