Corrida espacial: veja os detalhes da missão mais longa já projetada pela Nasa

Rafael Garcia
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SÃO PAULO - Cientistas ligados à Nasa anunciam na manhã desta segunda-feira (26) os detalhes da trajetória mais longa e mais demorada planejada até hoje para uma sonda espacial. A missão Interstellar Probe, prevista para durar 50 anos, tem como objetivo ir a uma distância de 1.000 unidades astronômicas, ou seja, mil vezes a distância que separa a Terra do Sol.

O projeto existe como uma ideia realativamente vaga na Nasa desde 1999, com um objetivo inicial de levar a espaçonave robô até 200 unidades astronômicas, um pouco além da marca de 120 atingida pelas sondas Voyager, os artefatos humanos que hoje estão na maior distância da Terra.

Há três anos, porém, a equipe de planejamento da missão começaram a incorporar mais pessoal, colocando 400 engenheiros e cientistas e engenheiros para trabalhar no projeto. O anúncio que confirma aumento de ambição da Intersterllar foi feito agora em comunicado dos pesquisadores, que apresentam o projeto no encontro anual da União Geofísica Europeia, que ocorre online.

A ideia dos cientistas é lançar a sonda ao espaço por volta de 2030. O objetivo da missão é sair da heliosfera, a zona de influência energética do Sol, e capturar radiação de fundo com origem interesterlar para estudá-la. As sondas Voyager tinham missões similares, mas tendo sido projetadas na década de 1970, os instrumentos que elas possuíam não tinham sofisticação suficiente para responder a algumas das questões desejadas.

A heliosfera é a região determinada pelo limite até onde chega o vento solar, o fluxo de partículas eletricamente carregadas emitidas pelo Sol. Após viajar por bilhões de quilômetros, essas partículas encontram a chamada heliopausa, que é o limite onde material do meio interestelar começa a se tornar mais abundantes que elas.

Astrofísicos se referem comumente à heliosfera como uma bolha, mas na verdade seu formato não é conhecido com precisão. Além de ter instrumentos mais avançados que as missões espaciais de longa distância anteriores, a nova missão vai estar mais bem posicionada para tentar determinar esse formato.

"A Interstellar Probe vai ao desconhecido espaço interestelar local, onde a humanidade nunca chegou", afirmou em comunicado Elena Provornikiva, chefe da divisão de física solar do Laboratório de Fìsica Aplicada da Universidade Johns Hopkins, de Maryland. "Pela primeira vez, vamos obter uma imagem da vasta heliosfera a partir de fora para ver como é nosso lar, o Sistema Solar."

A equipe da missão já tem 500 pessoas, contando colaboradores internacionais, e abriu mais detalhes do projeto agora porque ainda quer receber propostas de outros tipos observação que a sonda pode fazer, com diferentes instrumentos. Todos esses técnicos se envolveram apenas naquilo que os pesquisadores chamam de "estudo conceito pragmático", que acaba no fim do ano. No ano que vem, a Nasa deve decidir se o projeto entra na agenda para valer.

A Interstellar está projetada para viajar mais rápido que as sondas Voyager, que foram lançadas em 1977 e levaram 35 anos para chegar à heliopausa. A nova espaçonave robô deve fazer esse mesmo trecho do trajeto em "apenas" 15 anos. No restante de sua vida projetada, ela passaria vagando fora do Sistema Solar.