Nascido em São Paulo, Bolsonaro foi militar, vereador e deputado federal antes de chegar ao Planalto

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Jair Bolsonaro (PL), ex-deputado e capitão reformado do Exército, concorre contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em busca de se tornar o quarto presidente a se reeleger desde a redemocratização.

Nascido em Glicério (SP), foi eleito para o Legislativo federal em sete oportunidades antes de chegar ao Palácio do Planalto em meio a uma onda antipetista e à prisão de Lula.

Veja os principais momentos da vida e da carreira política de Bolsonaro.

NASCIMENTO E INFÂNCIA

Bolsonaro nasceu em Glicério, de uma família de imigrantes italianos e alemães. Na infância, morou em vários municípios paulistas, como Ribeira, Sete Barras e Eldorado, onde cresceu. É o terceiro filho de seis.

CARREIRA MILITAR

Bolsonaro entrou na Escola Preparatória de Cadetes do Exército aos 17 e, depois, na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), formando-se em 1977 e integrando o setor de paraquedismo na corporação.

PRISÃO

Quando integrava o Exército, Bolsonaro ficou preso durante 15 dias por escrever um artigo na revista Veja em que reclamava das condições salariais dos militares, segundo ele, precárias. O texto chegou a gerar uma manifestação em frente ao complexo militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Dois anos depois, o STM (Superior Tribunal Militar) o absolveu.

BOMBA E IDA À RESERVA

Em 1987, a Veja publicou que Bolsonaro e outro oficial planejavam explodir bombas-relógio em unidades militares do Rio de Janeiro, com esboços do plano atribuídos ao hoje presidente. Ele foi condenado por unanimidade pelo CJM (Conselho de Justificação Militar), mas recorreu ao STM, sendo então absolvido.

Com o caso, decidiu ir para a reserva e iniciar a carreira política, concorrendo à vaga de vereador.

POLÍTICA E ELEIÇÃO PARA VEREADOR

Bolsonaro entrou na vida pública com a exitosa candidatura a vereador do Rio de Janeiro pelo antigo PDC (Partido Democrata Cristão). Empossado em 1989, apresentou sete projetos de lei, todos relacionados a causas militares. Deixou o cargo em 1991 para se tornar deputado federal.

DEPUTADO FEDERAL

Eleito deputado federal em 1990, Bolsonaro tomou posse no ano seguinte, ainda pelo PDC. Manteve-se no cargo por sete mandatos, contabilizando 28 anos no Legislativo. Tentou ser presidente da Câmara em 2005, 2011 e 2017, sendo derrotado todas as vezes.

PARTIDOS POLÍTICOS

Além do PDC, partido pelo qual foi eleito vereador e deputado federal pela primeira vez, Bolsonaro foi filiado a muitas outras siglas ao longo de sua carreira: PPR, PPB —que depois se tornou o PP, do qual ele também fez parte—, PTB, PFL —que mais tarde se tornou DEM e hoje é o União Brasil—, PSC, PSL e PL.

Tentou criar uma legenda, que se chamaria Aliança pelo Brasil, mas não conseguiu a quantidade de assinaturas necessárias para oficializar a criação do partido.

Relação com ditadura militar

Bolsonaro já declarou em diversas entrevistas ser favorável à ditadura que comandou o Brasil entre 1964 e 1985. Também já afirmou que considera o golpe que alçou os militares ao poder uma "revolução".

ANTIPETISMO E CANDIDATURA À PRESIDÊNCIA

Diante da crescente rejeição ao PT e da popularidade da Operação Lava Jato, Bolsonaro decide se candidatar a presidente em 2016.

FACADA E QUASE MORTE

Em 6 de setembro de 2018, sofreu uma facada durante ato em Juiz de Fora, no interior de Minas Gerais. Foi atingido no abdômen e precisou passar por três cirurgias. O autor do crime, Adélio Bispo de Oliveira, foi preso e absolvido por ser considerado inimputável devido a problemas psicológicos.

2018 E PRESIDÊNCIA

Bolsonaro recebeu 46% dos votos no primeiro turno, chegando em primeiro lugar na segunda rodada contra Fernando Haddad (PT), que reuniu 29,28% dos votos. O segundo turno não teve nenhum debate entre os dois candidatos devido à recuperação do deputado federal após o episódio da facada.

Foi eleito com 55,13% dos votos válidos, contra 44,87% do ex-prefeito de São Paulo.

PANDEMIA DE COVID

A condução de Bolsonaro durante a pandemia de coronavírus foi amplamente criticada, com o presidente se posicionando de forma contrária ao isolamento social, recomendando o uso de cloroquina, medicamento sem eficácia comprovada contra a Covid-19, e atrasando a compra de vacinas.

ATRITOS COM JUDICIÁRIO

O mandato de Bolsonaro também ficou marcado por vários atritos entre o chefe do Executivo e o Judiciário, especialmente o STF e o ministro Alexandre de Moraes. Ele já chamou o magistrado de "vagabundo" e ameaçou não cumprir decisões da corte.