Do nascimento às selfies: como a tecnologia transformou a fotografia

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Nesta quarta-feira (19), comemora-se o Dia Mundial da Fotografia, que consiste basicamente na celebração das possibilidades de criação que acompanham esta arte, que tem evoluído a cada dia lado a lado com a tecnologia, e que hoje em dia já está literalmente nas mãos de cada um de nós por conta dos celulares. Para entender um pouco mais dessas mudanças, o Canaltech faz um panorama de como a ascensão da tecnologia foi levando a fotografia para frente.

Mas, antes de tudo: você sabe porque o Dia Mundial da Fotografia é comemorado justamente em 19 de agosto? Foi nesse dia, em 1839, que o governo da França apresentou o daguerreótipo, primeiro processo fotográfico a ser comercializado. O método foi desenvolvido por Louis-Jacques-Mandé Daguerre (1787 -1851), que cedeu os direitos de sua invenção em troca de uma pensão vitalícia para ele e o filho do inventor Nicéphore Niépce (1765 - 1833).

Entre 1826 e 1827, criou o que é considerada a primeira fotografia do mundo, intitulada "Vista da janela em Le Gras". O inventor usou um método que exigia oito horas de exposição solar, intitulado heliografia. No entanto, a chegada do daguerreótipo aconteceu justamente enquanto Henry Fox Talbot (1800 - 1877) desenvolvia outro processo de captação na Inglaterra. Outro que reivindicou para si a invenção foi o francês Hippolyte Bayard (1801 - 1887), que foi convencido a adiar o anúncio de sua invenção. Ainda assim, ele é responsável pela considerada a primeira fotografia posada, "Autorretrato de um homem afogado".

Com o tempo, o daguerreótipo passou por mudanças e aprimoramentos, até que, em 1884, o americano George Eastman (1854-1932) desenvolveu o rolo de filme. Quatro anos depois, ele fundou uma empresa muito famosa no ramo: a Eastman Kodak Company, que veio a falir em 2012.

Transformações da Fotografia

A fotografia passou por mudanças radicais ao longo do tempo, impulsionada pelas inovações acerca da tecnologia (Imagem: Th G/Pixabay)
A fotografia passou por mudanças radicais ao longo do tempo, impulsionada pelas inovações acerca da tecnologia (Imagem: Th G/Pixabay)

Com o passar dos anos, a tecnologia vem fornecendo muitas transformações em inúmeras áreas. Na fotografia, não é diferente. Você se lembra de como era uma câmera há dez anos atrás e de como é hoje em dia? Para entender melhor como a tecnologia tem ajudado a fotografia a avançar e quais foram as maiores mudanças a quais essa arte esteve submetida, a equipe do Canaltech conversou com a fotógrafa Val Zukovski.

"Bom, quando eu era criança só existia a fotografia analógica. Só fui ter contato com uma câmera digital na adolescência, acho que esse é o maior avanço que já acompanhei. Antes, era tudo demorado e mais trabalhoso. Você tinha que sair de casa, comprar filme, colocar na máquina, depois levar pra revelação e esperar ficar pronto pra poder ver como as fotografias tinham ficado. Pra quem trabalhava com fotografia, ainda tinha que saber de todos os processos de revelação dos filmes, o que é algo bem complexo e demorado", relembra a profissional.

"Hoje em dia é tudo automático e instantâneo, você carrega uma câmera na sua mão o tempo todo e pode tirar foto de tudo o que vê e pode compartilhar tudo de forma instantânea, antes disso a fotografia não era algo tão acessível. Isso sem falar nos softwares de edição, né? Nos tempos da fotografia analógica a manipulação de imagens era feita de forma química e/ou mecânica, nada prático comparado com o que temos atualmente", a fotógrafa ainda acrescenta.

Um tema que tem despertado o interesse da especialista nos últimos tempos é a importância da fotografia, que ela inclusive abordou de forma breve em um IGTV de seu Instagram:

Val conta que a maioria das pessoas utiliza a fotografia como registro de memórias, mas o que não paramos para pensar é que deixamos de lado álbuns fotográficos e passamos a guardar tudo em HDDs, redes sociais, nuvem, etc. "Se, de hoje para amanhã, todas as redes sociais, discos rígidos, computadores, celulares e outros meios digitais desaparecessem, a maioria das pessoas perderia todos os registros das suas melhores memórias porque não temos o hábito de guardar fotos de forma física".

No entanto, a fotógrafa argumenta que essa arte também tem um papel muito importante na autoestima das pessoas, já que hoje em dia utilizamos muito pra tirar fotos pessoais, e também como forma de expressão. "Com o aumento de usuários utilizando as redes sociais, é cada vez mais importante ter sua própria identidade visual pra poder se destacar dos outros milhões de pessoas que utilizam a mesma rede", afirma.

Questionada se a tecnologia chegou a trazer alguma consequência negativa para a fotografia e para os profissionais dessa área fotógrafos, de alguma maneira, Val comenta que está cada vez mais comum ouvir coisas do tipo “não vou contratar um fotógrafo, minha sobrinha faz umas fotos lindas com o celular”, por exemplo. E, como hoje em dia todos têm acesso à alguma câmera, a profissão não é tão levada a sério.

Outro problema apontado pela profissional é a rapidez com que as fotos são compartilhadas. "Isso acabou desvalorizando quem trabalha com fotojornalismo, por exemplo. Quando se tem um evento, alguma ocorrência, o jornal precisa mandar o fotógrafo até o local pra fazer o registro. Hoje em dia antes mesmo do profissional chegar, já tem diversas pessoas mandando fotos dos seus smartphones e divulgando em todas as mídias possíveis".

Mas apesar dos pontos citados por Val anteriormente, a profissional defende que a fotografia deveria ser bem mais acessível do que já é, mas não só no sentido de ser algo barato, e sim no sentido de que todo mundo deveria poder saber mais sobre a história da fotografia, poder estudar de forma mais aprofundada sobre termos técnicos e saber como tirar o maior proveito da câmera que possui. "Nos apegamos muito ao automático do celular e das câmeras, não temos ideia do leque imenso que se abre quando aprendemos um pouco mais sobre isso e do que a fotografia pode nos trazer".

O que vem por aí?

Em meio a um mar de transformações, o que esperar do futuro da fotografia? (Imagem: Daniel Friesenecker/Pixabay)
Em meio a um mar de transformações, o que esperar do futuro da fotografia? (Imagem: Daniel Friesenecker/Pixabay)

A transformação da fotografia acontecendo de modo cada vez mais rápido, lado a lado com a inovação que a tecnologia proporciona, é inegável. No entanto, questões que ficam na mente são: quais os próximos passos da fotografia? O que podemos esperar? O que falta a fotografia alcançar? Val acredita que a tendência é ter câmeras cada vez menores e mais potentes que produzam imagens mais próximas da realidade possível.

"Já vivemos em uma época em que podemos compartilhar imagens instantaneamente, já temos smartphones que geram imagens de boa qualidade com câmeras muito pequenas, já temos câmeras profissionais de extrema qualidade que fazem fotos incríveis. Acho que aos poucos tudo isso irá se juntando e logo teremos acesso à câmeras de muito mais qualidade", a profissional aponta.

Mas se é que o Canaltech pode levantar um palpite nisso, é que o futuro da fotografia está nos braços da inteligência artificial. Em 2018, a Xiaomi desenvolveu uma IA chamada DeepExposure, capaz de segmentar uma foto em diversas “sub-imagens”, cada uma delas sob uma nível de exposição diferente, que depois são usadas para retocar a foto final. O algoritmo foi desenvolvido baseado nas máscaras contra luminosidade usadas por fotógrafos profissionais, e os pesquisadores acreditam ser a chave para a obtenção de fotos de qualidade por sistemas fotográficos computacionais.

Enquanto isso, no início do ano, o Facebook desenvolveu uma espécie de algoritmo que consegue converter imagens tradicionais em duas dimensões em fotos tridimensionais. Para fazer a análise de profundidade e distância entre os objetos, o sistema passa por quatro etapas: blocos de construção neurais, pesquisa de arquitetura automatizada, treinamento sensível à quantização e os dados derivados de fotos 3D públicas.

Em junho deste ano, a Adobe disponibilizou o Photoshop Camera, que combina disparo de fotografia com processamento rápido, de forma a aplicar os efeitos desejados da forma mais rápida, com direito a efeitos que podem ser vistos em tempo real, não apenas depois da fotografia tirada. "Se vai chegar nos níveis de Black Mirror, onde podemos filmar e fotografar com nossos olhos tudo o que acontece nos nossos dias, já não sei. Mas tudo está evoluindo extremamente rápido, então não duvido de mais nada", Val Zukovski conclui.

Fonte: Canaltech

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