Natal da pandemia deve ter mais enfeites na casa e menos carne na ceia

Ana Clara Veloso
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Foto: Arquivo
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Em meio à pandemia, o Natal de 2020 promete ser diferente: menos pessoas vão optar por viagens, passando a data em casa para evitar aglomerações. Por causa disso, muitos brasileiros decidiram investir mais em uma decoração típica. O presidente do Centro Comercial Saara, Eduardo Blumberg, afirma que os lojistas estão otimistas:

— Acredito que as pessoas vão comprar mais itens na segunda quinzena deste mês. Mas há quem já esteja montando a árvore logo.

De acordo com a Associação Brasileira de Artigos para Casa (ABCasa), o mercado vem se reaquecendo pela demanda das pessoas que passaram a enxergar suas casas com um novo olhar. Como consequência, muitos associados da ABCasa bateram recordes de vendas nesse período e esperam crescimento ainda maior para os próximos meses, motivado pelo Natal.

Na Camicado do NorteShopping, as árvores grandes da loja, com 2,1 metros, que sem os itens decorativos custam R$ 699,99, esgotaram ainda no mês de outubro. Em anos anteriores, a procura era maior pelas de pequeno porte. Outro produto campeão de vendas que aguarda reposição é o presépio Globo Noel, que sai por R$ 159,99.

— O ano foi muito difícil e nossos clientes estão em busca de mais beleza para a data, investindo na decoração — conta Daniele Teixeira, gerente da Camicado.

Com a inflação do ano sendo puxada pelos alimentos, ter uma mesa farta sairá bem mais caro. E as vilãs da comemoração serão as carnes, com altas, segundo o Índice de Preços ao Consumidor do FGV IBRE, de até 30,84% no acumulado dos últimos 12 meses. Até outubro, o lombo ficou 22,63% mais caro; o frango, 12,59%; e o bacalhau, 12,15%.

O coordenador do IPC FGV/Ibre, André Braz, diz os complementes de mesa, como arroz, vinho e azeite, também ficaram mais caros.

— Produtos importados como vinho e azeite sofreram com a evolução muito grande do câmbio. Além disso, a própria farinha de trigo, que é a base do panetone e do pão de rabanada, ficou mais cara. Panetones estão de 6% a 7% mais caros no mercados — exemplifica o consultor de varejo Marco Quintarelli.

Segundo Braz, fazer substituições por marcas menos conhecidas pode gerar economia de até 50% nas compras. Outra boa ideia é fazer as compras com antecedência, dar preferência a frutas nacionais e da estação, assiim como a vinhos brasileiros.