Natal e réveillon seguros: especialistas orientam vacina, teste em quem viajou, máscara e outros cuidados

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No ano passado, não teve amigo oculto, Papai Noel para as crianças nem ceia farta no Natal da família da analista de Recursos Humanos Luciana Santos. A celebração contou com poucos convidados e muita apreensão com a pandemia de Covid-19. Neste ano, com os parentes vacinados contra o vírus, o plano é comemorarem juntos, com a mesa cheia — mas ainda com precauções.

— Amamos Natal, e no último não pudemos nos encontrar. Foi difícil, triste. Mas este ano a família está toda vacinada com as duas doses, os mais velhos até com a terceira, então vamos nos reunir. As crianças estão na maior expectativa. Mas os cuidados continuam. Vamos manter o ambiente aberto. Distanciamento vai ser mais complicado, mas nosso combinado é que, se alguém tiver qualquer espirro, sintoma de gripe ou Covid, não vai à celebração — conta Luciana.

Com o avanço da vacinação contra o coronavírus e os números da pandemia em queda, muitas famílias vão fazer neste fim de ano a tradicional e aguardada reunião que faltou em 2020. Mas ainda não é o festão que costumavam fazer todo dezembro nem aquela confraternização com convidados saindo pela janela. Ou ao menos não seria o recomendado, segundo especialistas ouvidos pelo EXTRA. Se é verdade que a imunização adicionou a dose de esperança que o ano passado ficou devendo, o surgimento de novas variantes do coronavírus, como a Ômicron, e a epidemia de Influenza inspiram atenção. A boa notícia é que é possível reduzir bastante os riscos respeitando quatro pilares: vacinação, distanciamento, ventilação e o uso de máscaras.

— Em comparação com o mesmo período do ano passado, hoje vivemos o melhor cenário em relação à transmissão do coronavírus. Mesmo assim, se for possível fazer confraternizações em núcleos menores, não associados a aglomerações, é o mais indicado. E de preferência em locais arejados, abertos, ou, mesmo que fechados, com as janelas abertas. Apesar do momento positivo da pandemia, ela ainda não acabou, e a cobertura vacinal ainda não está acima dos 80%. Ainda mais com nova variante — diz o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz.

Confira a seguir as principais recomendações para ter “boas festas” no melhor sentido da expressão!

Ceia de Natal

O melhor presente para o encontro natalino de família este ano é estar imunizado. Com convidados que já convivem normalmente e estão vacinados, não existe, a princípio, contra-indicação para a comemoração.

— Obviamente, se alguém estranho ao ambiente for convidado, aí vale inclusive pedir o comprovante de vacinação — diz o infectologista Jamal Suleiman, do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo.

Tarefa difícil para muitas famílias, uma maneira eficaz de controlar a transmissão do novo coronavírus em encontros caseiros para o Natal é reduzir o número de participantes. Alguns especialistas chegam a determinar um número específico de pessoas para manter o risco baixo: até dez.

— Estatisticamente, se você se reúne com mais de dez pessoas, haverá maior proximidade, as pessoas vão falar mais alto, e aumenta a chance de algum dos convidados estar com gripe (ou Covid) incubada — afirma Celso Granato, diretor clínico do Grupo Fleury.

Não é preciso, porém, desistir da ceia pelo risco de contaminação pelo por vírus, dizem. Granato explica que guardar uma distância de 1,5 metro na hora de comer já seria suficiente para amenizar bem o risco. Fora dos momentos em que se aproveita das comidas e bebidas, a máscara ainda é fundamental.

Réveillon

No ano passado, a tradutora Carolina Selvatici e o marido, o também tradutor Diego Magalhães, passaram o reveillón de quarentena. Diego testou positivo para a Covid-19 poucos dias antes de receber a mãe e o irmão, que passariam a festa em Florianópolis com o casal.

— Não tínhamos sintoma, mas acabamos cancelando tudo quando o teste dele deu positivo. Na hora dos fogos, só atravessamos a rua para a praia, que estava vazia, e voltamos para casa — lembra Carolina, que não vê a maioria dos familiares há quase dois anos.

— Desta vez vamos passar o Ano-Novo no Rio, em um apartamento com varanda grande. É um espaço aberto e poderemos ficar juntos. Mas seremos poucos, ainda assim.

Algumas famílias têm considerado fazer um teste de Covid previamente para dar mais segurança. Especialistas dizem que, se entre os convidados houver pessoas que se expuseram, viajando, por exemplo, compensa, para não colocar em risco os demais. Uma dica importante é encontrar-se com quem também é cuidadoso para evitar o contágio do vírus.

— A regra é manter os protocolos sanitários e estar com pessoas vacinadas. Dá para fazer uma festa íntima com pessoas que seguem protocolos, isso é seguro — diz o infectologista Marcos Boulos, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Em ambientes arejados, ao lado de pessoas totalmente vacinadas e que mantiveram os protocolos de segurança, até o abraço de feliz Ano-Novo pode acontecer sem muito risco.

— O parente meio negacionista, é melhor deixar para outra hora — recomenda Boulos.

Confraternização com amigos

Infectologistas explicam que, em termos de transmissão de doenças, é pouco eficaz classificar atividades como proibidas, sobretudo em um momento de controle epidemiológico de contágio. O que há agora são riscos que podem ser mitigados por meio dos comportamentos corretos e responsáveis.

— O risco de transmissão não está presente na festa em si, mas na atitude e no comportamento (das pessoas que vão) — explica Renato Kfouri, pediatra infectologista da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Ou seja, pessoas que decidem ir a uma confraternização podem transformar essa atividade em um encontro menos arriscado ao, por exemplo, evitar contato próximo com desconhecidos e conversas sem máscara.

— Na comemoração de fim de ano com amigos em ambientes fechados, se houver uma pessoa não vacinada, o risco (de contágio) é imenso. A recomendação é que, se forem se reunir, que essa reunião aconteça onde as pessoas tenham sido educadas para seguir as orientações de não aglomeração — diz o infectologista Jamal Suleiman. — Agora, se o plano for reunir colegas que estão esse tempo todo trabalhando de maneira remota, é melhor deixar para o próximo ano, quando se espera que o mundo inteiro tenha tido acesso às vacinas. E, se ainda houver algum colega resistente à vacinação, mostre a ele a importância de se imunizar. Se não, nem no ano que vem ele vai poder participar de encontro algum.

Crianças

Mesmo com a boa cobertura da população adulta, a lacuna da imunização infantil preocupa em alguns lares. Pai de Pedro, de 10 anos, e de Maria Fernanda, de 2, o servidor João Paulo Biage, 33, conta que o Natal, que costuma reunir família e amigos em Brasília, vai se reduzir ao núcleo familiar mais próximo. Para o réveillon, a festa não está definida:

— O Natal, normalmente, é na casa da minha mãe e bem badalado. Dessa vez, a gente vai fazer no rancho do meu irmão, que é num local mais afastado. Lá é bom porque as crianças ficam livres, conseguem brincar bastante, ir ao lago...

A ampliação do uso da vacina da Pfizer para a faixa etária de 5 a 11 anos, autorizada pela Anvisa na quinta-feira, trouxe esperança e alento às famílias que querem ver os pequenos logo imunizados. Porém, a expectativa esbarra na falta de previsão das doses pediátricas.

— Quando falarem “pode vacinar”, vamos estar lá (no posto com as crianças) às 5h, 6h. Eu e minha esposa estamos vacinados. Mas nossa preocupação é com eles — diz Biage.

Para o pesquisador Vitor Mori, da Universidade de Vermont, nos EUA, e integrante do Observatório Covid-19 BR, a decisão de realizar encontros é particular. O que deve prevalecer é uma avaliação de risco-benefício.

— A gente já vê uma reabertura de praticamente tudo, as pessoas já estão indo trabalhar, tendo que ir a locais de mais risco. São duas discussões diferentes: a primeira é o debate sobre fazer, a segunda, sobre reduzir os danos caso faça — afirmou.

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