Natal feito com itens mais baratos pode possibilitar uma ceia com fartura

Glauce Cavalcanti e João Sorima Neto
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Ana Branco
Ana Branco

Após o ano difícil de pandemia, em que o brasileiro aprendeu a comer em casa, as famílias buscam um alento no Natal. Ter uma ceia farta e presentes sob a árvore será um desafio principalmente para as classes C e D, em meio ao auxílio emergencial reduzido à metade, desemprego recorde e dólar alto, que fez saltar o preço dos alimentos. Ainda assim, o varejo e especialistas apostam no aumento do consumo. Será o Natal das aves, dos vinhos e espumantes nacionais, da diversidade de pratos, mas em porções menores.

Há dois pontos para a aposta de crescimento em vendas. Um é que mesmo os mais pobres vão privilegiar os gastos no Natal pelo que a data representa após meses de limitações. Em paralelo, com a renda preservada, os mais ricos terão festa mais farta. O outro eixo é que, com restrição de circulação, o número de reuniões familiares tende a crescer.

— Será uma ceia diferente porque as famílias vão usar o alimento para compensar o ano difícil. Vão reduzir quantidades para não abrir mão do que desejam. Com o dólar alto, produtos nacionais e de mercados mais próximos ganham protagonismo. Vai ter menos vinho da Europa e mais do Brasil e da América do Sul. O consumidor faz essa troca — diz Fábio Queiroz, presidente da Associação de Supermercados do Rio de Janeiro (Asserj).

As vendas do setor no Rio neste Natal, continua Queiroz, devem subir 5% este ano. A rede carioca Zona Sul estima vender 10% mais. Contando novas lojas abertas em 2020, o avanço pode chegar a 20%. O grupo montou uma gama de ceias e pratos prontos assinados pela dupla de chefs Christophe Lidy e Dominique Guerin. Há opções P, M e G, para três tamanhos de ceia.

Carlos Blajberg, diretor comercial da empresa, explica que a operação de fim de ano foi montada com foco no cliente. Como avaliam que as pessoas vão cear em casa, querem comer bem e com praticidade — muitas famílias de classe AB dispensaram ou estão por ora sem empregada doméstica — reforçaram a oferta de pratos prontos, que subiu de seis para 20.

O aumento de preço de aves e suínos é inevitável. Mas a rede reduziu margens para atenuar o reajuste de importados. É estratégia similar à doPrezunic, que também abriu mão de margem para frear preços.

— Esperamos aumento de 10% em vendas. Teremos produtos para todos os públicos, prevemos alta no consumo com mais reuniões em família — diz Patricia Rotelli, gerente comercial do grupo.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) revisou para cima sua estimativa para o Natal. Prevê aumento de 2,2% em vendas sobre 2019, contra previsão anterior de queda de 3%.

— O brasileiro vai ter que fazer escolhas e ajustar a quantidade de produtos ao orçamento — diz Fabio Bentes, economista da CNC.