Natália e Naiara reproduzem mito da democracia racial; entenda

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·3 min de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Natália e Naiara Azevedo reproduzem racismo no
Natália e Naiara Azevedo reproduzem racismo no "BBB22" (Foto: Reprodução/Instagram)

A 22ª edição do "Big Brother Brasil" mal começou e já temos as primeiras falas racistas.

Assim como na última edição, o racismo foi pauta logo no início do programa. Na madrugada desta terça-feira (18), os participantes conversavam sobre racismo. A cantora Naiara Azevedo relembrou uma participação no programa "Encontro" em que teve uma fala racista criticada na internet.

O povo veio me matando por eu ter elogiado uma mulher negra no 'Encontro'. Eu disse que ela era foda. Ah, você está surpresa de ver uma mulher negra inteligente? Me chamaram de preconceituosa e se tem uma coisa que não sou é preconceituosa", disse ela.

Na ocasião, Naiara, que estava sentada ao lado de Vilma Piedade, uma das maiores intelectuais negras do país, disse que estava surpresa ao conhecer uma “mulher preta tão inteligente, tão culta”. Será que ela demonstraria essa surpresa se fosse uma pessoa branca?

VOCAÇÃO PARA SERVIR?

Em seguida, Natália, participante do grupo pipoca, minimizou o acontecimento, afirmou que o racismo é pior fora do Brasil e arrematou dizendo:

Realmente tem a história que a gente veio, né. E viemos como escravos porque a gente era eficiente, porque a gente era forte, porque a gente era bom no que a gente fazia. Talvez se colocasse outra pessoa para fazer isso lá, não conseguiria

A fala da sister, que é negra, reflete a falta de conhecimento sobre a história do povo negro no Brasil e de pensamento crítico sobre a questão racial no país. Natália parece ter focado no empoderamento pela estética. Embelezou o lado de fora, trançando o cabelo, mas esqueceu de arrumar a cabeça por dentro.

NÃO VEJO COR

Os demais brothers ouviam, sem reação, a fala de Natália. O silêncio foi quebrado por Naiara Azevedo, que narrou sua infância “sem cores”, uma fantasia na qual não existia desigualdade:

Cores não existiam para mim. Ruivo, loiro, negro, branco, todo mundo para mim é como se eu enxergasse tudo igual. Eu não vejo tonalidades de peles diferentes aqui, eu não fui ensinada assim, para mim é tudo igual. Meu pai, minha mãe, me ensinaram a amar, respeitar o ser humano, as pessoas como elas são”.

Negar o racismo não faz o problema desaparecer, apenas joga para debaixo do tapete. Esse discurso de não ver cor serve apenas para manter as coisas como estão, sem mudar a realidade social.

FALAS PROBLEMÁTICAS

Natália e Naiara apresentam falas rasas e superficiais sobre a questão racial no Brasil. Enquanto Natália romantiza a escravização do povo negro, justificando o trabalho forçado, como se tivéssemos vocação para servir, Naiara afirma não ver cor, ignorar raça. Em comum, as duas falas estão baseadas no mito da democracia racial. A falsa ideia de que, no Brasil, não existem tensões raciais, não existe racismo e todos vivem em perfeita harmonia.

Essa ideia não se sustenta, basta olhar para os índices de pobreza, de falta de moradia, de violência. Basta olhar o 'BBB' e perceber que o racismo está lá, mais presente do que nunca.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos