Nathan Torquato luta pelo ouro ‘brazuca’ em estreia do parataekwondo no Japão

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Nathan Torquato comemora nos Jogos Parapanamericanos de Lima, em 2019 (Foto: Ale Cabral/CPB)
Nathan Torquato comemora nos Jogos Parapanamericanos de Lima, em 2019 (Foto: Ale Cabral/CPB)

O Japão ainda é o centro das atenções do mundo nas disputas pós-Olimpíadas. Agora, os holofotes ficam por conta dos Jogos Paraolímpicos. Tóquio terá novidades: a estreia de duas modalidades nas competições: o parabadminton e o parataekwondo. Este último - arte marcial originária na Coreia do Sul com uso de braços e pernas - é adaptado para pessoas com deficiência física, visual e intelectual. Apenas a classe para atletas com deficiência física pode participar dos combates a partir de 3 de setembro.

A delegação nacional paralímpica será composta por 256 atletas (incluindo os sem deficiência, casos dos guias do atletismo, ciclismo, calheiros da bocha, goleiros do futebol de cinco e timoneiro do remo). A segunda maior, superada apenas pelos números dos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. Os brasileiros estarão em 20 modalidades, com exceção do basquete e rúgbi, ambos em cadeira de rodas. Com maior grupo, o atletismo terá 64 nomes, três a mais que no Rio.

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No parataekwondo, o país contará com a paraibana e campeã mundial Silvana Fernandes (categoria até 58 kg), os paulistas Débora Menezes (acima de 58 kg) e Nathan Torquato (61 kg). Já no parabadminton, o único representante nacional será o paranaense Vitor Tavares, de 22 anos. A modalidade é o badminton preparado para pessoas em cadeira de rodas ou andantes que utilizam uma raquete para golpear uma peteca. Em quadra, os adversários disputarão provas individuais, duplas (masculinas e femininas, além de mistas em seis classes diferentes).

Sobre o parataekwondo, o competidor natural da cidade de Praia Grande, no litoral sul paulista, é um dos que surge como promessa de medalha de ouro. Trata-se de Nathan Sodario Torquato, de 20 anos. Ele respira o esporte desde que o conheceu aos três anos de idade quando observava lutas ao lado da mãe, dona Rose. Ela acompanhava o filho que andava de bicicleta. A trajetória rápida o fez, inclusive, participar de disputas em combates convencionais, obtendo vários títulos estaduais. No entanto, sua meta foi ganhando força até o foco atual: conquistar a medalha de ouro em sua primeira presença nas Paralimpíadas.

Torquato competirá na classe K44, para atletas com amputação unilateral do cotovelo até a articulação da mão, dismelia unilateral, monoplegia, hemiplegia leve e diferença de tamanho dos membros inferiores. No caso dele tem má formação congênita no braço esquerdo. Em Tóquio, a K44 se juntará a K43 (lutadores com deficiências nos dois membros).

O paulista, que vive no bairro da Ponta da Praia, segue em ascensão há duas temporadas e tem boas perspectivas de conquista. Garantiu vaga desde o ano passado em evento que disputou na Costa Rica. Bateu três adversários (cubano, dominicano e colombiano). Em 2021, foi escolhido por um portal mundial especializado em taekwondo como melhor atleta das Américas.

Ele ingressou no parataekwondo apenas em 2017 quando a modalidade foi criada no Brasil. Na infância, o garoto observava as lutas com pessoas trajando roupa semelhante ao dobok (o quimono usado no taekwondo). Foi um pulinho ou ainda um golpe de iniciativa pedindo para a mãe para ser matriculada na academia.

Após o Pan-americano da modalidade, disputado em Cancun (México) este ano, ficou constatado que mesmo com 16 meses de afastamento por conta da pandemia do coronavirus, o Brasil tinha um conjunto afinado para faturar medalhas. Entre eles estava Nathan. O desempenho dele e todos cresceram, conforme avaliação pontual do coordenador de parataekwondo, Rodrigo Ferla, da CBTkd (Confederação Brasileira de Taekwondo). Em entrevista, o paratleta, que foi campeão do Parapan de Lima em 2019, conta um pouco mais de sua jornada.

Yahoo Esportes: Você passou primeiro pelo taekwondo como atleta e depois paratleta. Como foi a transição do convencional para a outra forma?

Nathan Torquato: Muito natural e sem muitas dificuldades. O que diferencia o convencional do paraolímpico são somente algumas regras. {No kyorugui - luta- a modificação ocorre no sistema de pontuação e faltas}

Você teve um momento desagradável na sua jornada esportiva. Foi impedido de competir, é possível citar a experiência negativa?

Foi no Campeonato Mundial de 2014, em Baku (Azerbaijão). Eu estava na seleção convencional (categoria cadete). E fui para a competição (fiz até vaquinha virtual). Lá não me deixaram competir por ser paratleta. Alguns anos depois, o parataekwondo foi introduzido nas Paralimpíadas e no Brasil. Começou um ciclo que pude fazer a transição.

Sua mãe é grande incentivadora e sua irmã também?

Sim. Minha mãe Rose e toda minha família são os maiores responsáveis por eu estar onde estou. Por exemplo, minha irmã Nicolle, que também compete, me ajudou nos treinos na pandemia em casa.

Como vê a primeira vez do Taekwondo nas Paralimpíadas?

É um esporte muito praticado em diversos países. Agora nas Paraolimpíadas, com certeza muitos jovens com deficiência encontrarão na modalidade uma grande jornada

Quais serão os seus maiores adversários em Tóquio?

Todos que estão nos jogos paraolímpicos são atletas excelentes, porém meus rivais serão o mongol, o russo e o turco.

Você vive do esporte? Mas olha para o futuro, estuda?

Sim, sou patrocinado pelo bolsa-atleta categoria pódio do governo federal, pelo time São Paulo paralímpico do governo estadual e pela Fundação pró-esporte de Santos, a cidade que represento. Mas busco novos horizontes. Voltarei à faculdade ano que vem, retomando o curso de Arquitetura.

Como foi sua classificação à Tóquio. Comemorou? Você tem muitas conquistas? Coloca-se como favorito por medalha?

Foram vitórias dominantes em cima dos melhores atletas das Américas. É a realização de um sonho, sem dúvida vou em busca do ouro.

Você sofreu algum problema de preconceito? Sabe o que é capacitismo?

Nunca sofri nenhum preconceito direto, principalmente na escola. Todos meus colegas sempre me admiraram bastante também por conta da vida desportiva. A característica de ser um atleta de alto rendimento foi maior do que minha diferença física, graças a Deus sempre me respeitaram.

Há algum ídolo no esporte ou no taekwondo?

Dentro do taekwondo meu maior ídolo é o Ahmad Abughaush, campeão olímpico em 2016 no Rio de Janeiro. [Conquistou a primeira medalha de ouro da história da Jordânia em Jogos].

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