Natura & CO troca presidente e anuncia Fábio Barbosa, ex-Febraban, na direção da empresa

A Natura & CO, dona das marcas Natura, Avon, The Body Shop e Aesop, informou nesta quarta-feira que está promovendo um processo de restruturação de seus negócios. Fábio Barbosa, ex-presidente do Santander e do Grupo Abril, e executivo ligado ao tema de sustentabilidade, assumirá a presidência da empresa. Barbosa integrava o Conselho da empresa há cinco anos e era responsável pelo Comitê de Pessoas.

Em 12 meses, as ações da companhia caíram de R$ 22,78 para R$ 5,51 no fechamento de ontem, acumulando uma queda de mais de 70%.

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Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Natura & CO. informa que as mudanças visam tornar a estrutura da holding mais simples para as quatro unidades de negócio. Roberto Marques, atual CEO e presidente do Conselho, deixa essas funções e exercerá a função de conselheiro, para ajudar no processo de transição. Ele planeja se aposentar no final deste ano.

A companhia vai criar uma frente de trabalho para definir nos próximos meses uma nova estrutura corporativa. Cargos como líder de Crescimento Sustentável e líder de Transformação deixarão de existir.

"As quatro unidades de negócios serão apoiadas por uma nova e leve estrutura corporativa, que será implementada nos próximos meses", declarou Barbosa no comunicado. O executivo também já presidiu a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e o Banco ABN/Amro.

As mudanças na Natura ocorrem depois que a empresa fez diversas aquisições e uma complexa integração de seus negócios. Uma das mais significativas transações foi a aquisição da americana Avon. Com a fusão, a Natura tornou-se a quarta maior empresa de beleza do mundo.

As duas empresas eram rivais e a Avon passava por uma grave crise, tornando-se um desafio a sua reestruturação em toda a América Latina. A Natura também sofreu o aumento da concorrência no mercado brasileiro, com o avanço das vendas pela internet.

O prejuízo líquido da empresa cresceu 314% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado e chegou a R$ 643 milhões. Segundo a Natura explicou em comunicado, o trimestre foi impactado pelo aumento da inflação, pelas pressões de custos na cadeia de suprimentos e os primeiros efeitos da guerra na Ucrânia.

A dívida líquida da companhia ficou em R$ 7,6 bilhões no final de março de 2022, uma alta de 54,4% em relação ao mesmo período de2021.

Um relatório produzido em maio passado pela XP, a partir de uma conversa entre a analista de varejo da XP, Danniela Eiger, e o CEO da Natura & Co para a América Latina, João Paulo Ferreira, mostrou que a reestruturação da Avon segue em curso e o cenário macroeconômico é desafiador para a empresa.

A companhia está aumentando investimentos nos produtos-chave e implementando um novo modelo comercial. No curto prazo, os impactos dessas mudanças são negativos, mas a expectativa é que a estratégia obtenha sucesso em prazo mais longo, mostra o relatório.

Segundo o executivo contou à analista, concluídos os ajustes da Avon, o foco da companhia passará a ser estimular a venda cruzada das duas marcas na região, uma vez que em todas as casas onde há presença de produtos Avon ou Natura, apenas 1/3 possuem itens das duas marcas. Essa estratégia vai ganhar força a partir do segundo semestre deste ano, inicialmente no Brasil. A XP considera que a açõa da Natura tem preço alvo de R$ 40.

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