Natura anuncia compra da Avon

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A Natura anunciou nesta quarta-feira acordo para compra da norte-americana Avon em uma transação baseada em troca de ações e que deverá criar o quarto maior grupo de beleza do mundo, segundo a companhia brasileira.

A transação, que une as duas marcas mais populares de maquiagem no Brasil, prevê que os acionistas da Natura terão 76 por cento da companhia combinada, que terá receita anual de mais de 10 bilhões dólares, cerca de 40 mil funcionários e presença em cem países.

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Segundo a Natura, a transação prevê sinergias anuais de 150 a 250 milhões de dólares por ano.

Ações sobem 5% após confirmação de compra

As ações da Natura sobem cerca de 5% nesta quarta-feira (22), com a confirmação de compra da americana Avon.

Os papéis da companhia brasileira chegaram a cair cerca de 5%, a R$ 52,84, assim que a Bolsa brasileira abriu. Com maiores detalhes da compra, eles inverteram o sinal e, às 13h03, tem alta de 4,46%, a R$ 58,71. Na máxima, as ações foram a R$ 59,62.

"O modelo de transação por ações pode gerar bastante valor por não ter alavancagem financeira. Nas outras aquisições, a Natura teve solavancos no caixa porque desembolsou grandes valores", afirma Luis Gustavo Pereira, estrategista-chefe da Guide Investimentos.

O receio de investidores era de que a compra poderia comprometer a dívida da companhia brasileira. Ao fim de 2018, o déficit da companhia era de 2,71 vezes o Ebitda.

"O negócio só poderia ser melhor se a compra da Avon fosse mais barata e o dólar estivesse mais baixo", diz Pereira. Nesta sexta, o dólar está cotado a R$ 4,0330.

Por meio de fato relevante, a Natura confirmou que as negociações estão em estágio final e que a aquisição "será em uma operação que envolve troca de ações (all-share merger), que resultaria na combinação de seus negócios, operações e das bases acionárias da Natura e da Avon".

Neste modelo de compra, o pagamento é feito por ações. A Natura oferece um valor, em ações da própria Natura, para cada ação da Avon.

A empresa brasileira ainda ressalta que a transação está sujeita a aprovação dos órgãos reguladores e pelas bases acionárias de ambas as partes. "Não há como garantir que uma Transação definitiva será anunciada ou ainda os outros termos de qualquer eventual acordo", diz o comunicado.

"A Avon passou por tempos difíceis em todos os seus principais mercados e pode precisar de investimentos para revitalizar suas operações em todo o mundo, ao mesmo tempo em que a Natura têm que manter o seu plano de reestruturação em curso para a marca The Body Shop", afirma Henara Matache, analista do Brasil Plural.

Neste ano, a Natura adquiriu a operação da inglesa The Body Shop na América Latina.

Apesar disso, Matache afirmou em nota a clientes que as sinergias que podem resultar da combinação das duas empresas "devem superar o lado negativo dos investimentos necessários e contribuir diretamente com o objetivo maior da companhia de se tornar uma marca verdadeiramente global".

Com a perspectiva de crescimento, as ações da Natura inverteram sinal e sobem 4,4%, a R$ 58,68, às 12h49. A alta é a maior do Ibovespa, maior índice acionário do país, que opera em alta de 0,12%, a 94.602 pontos.

Já os papéis da Avon chegaram a subir mais de 20% na Bolsa de Nova York pela manhã. No momento, a companhia tem alta de 10%, a US$ 3,52 (R$ 14,20).

Com REUTERS e FOLHAPRESS