Naturalização facial promete resultados mais suaves do que os da harmonização facial

Foi na altura dos 30 anos que a atriz Monique Alfradique, hoje com 36, começou a cuidar melhor da pele, aderiu à rotina diária de proteção solar, lançou mão de um bom hidratante e deu chance ao uso recorrente da vitamina C. Aos 34, fez o primeiro procedimento estético, com o chamado laser “fotona”, sugerido para turbinar a produção de colágeno. Nos últimos meses, Monique foi além e apostou em uma nova técnica de tratamento global do rosto: a naturalização. “Decidi fazer para melhorar a textura da face e a flacidez. Foi bem tranquilo e de imediato já notei resultados”, diz a atriz. “Venho de uma família de mulheres muito vaidosas. Minha avó passa maquiagem todos os dias, mas não dorme sem seu skincare. Então cresci vendo as duas (ela e minha mãe) cuidarem bastante da pele”, justifica.

A técnica, comenta o dermatologista responsável pelos cuidados do rosto da atriz, Alessandro Alarcão, consiste em realizar procedimentos em sériena face: lasers, ultrassom, radiofrequência, fios de sustentação (em alguns casos) e aplicação de ácido hialurônico e toxina botulínica. A modalidade recém- lançada — dizem seus criadores, entre os quais Alarcão faz parte— é uma resposta à harmonização facial: nome que se dá aos preenchimentos que exterminam linhas de expressão e rugas, mas também criam novas proporções ao rosto, promovendo traços mais brutos sobretudo no nariz, na mandíbula, nas bochechas e nos lábios.

"A naturalização consiste em associações de tratamentos e tecnologias, a ideia é estimular a produção de colágeno em combinação com injetáveis (utilizados na harmonização facial), caso do ácido hialurônico. O foco está em fortalecer os ligamentos da face. Com a idade, alguns ligamentos ficam frouxos, o que ocasiona a flacidez”, afirma Alarcão. “A ideia é reestruturar a face por meio desses ligamentos, com ácido hialurônico. Usamos 2 mililitros de produto, enquanto a harmonização pode chegar a usar 15”, explica o especialista, que atende em Goiania, SP e na clínica de Juliana Neiva, no Rio.

A modalidade deve ser feita por dermatologistas ou cirurgiões plásticos, justamente pela união de métodos de intervenções usados de maneira sistemática. Em oposição aos preenchimentos da harmonização que usam somente aplicação de toxinas, e normalmente são realizados por dentistas, biomédicos e outros profissionais.

A meta da naturalização é conter os efeitos do envelhecimento na face, mas sem tentar mudar proporções de nariz, boca e bochechas. “Um exemplo interessante é um lábio que tem efeitos da flacidez. Se há o preenchimento dessa boca flácida, há a projeção do tecido, o que cria uma aparência artificial, de bico. Outro tratamento possível, e melhor, é estimular os ligamentos ao redor da boca para que voltem a uma posição mais projetada para fora” diz Alarcão. Nesse caso, os fluídos preenchedores serão utilizados para refinamento do visual final, como arremate. O procedimento dura por volta de um ano — prazo em que se orienta repetir as aplicações.

A nova modalidade de procedimento surge nos braços de uma tendência que varre as redes sociais, a maquiagem e o mundo da estética: a busca por naturalidade. Há, por exemplo, o lançamento do “BeReal”, uma rede social, cujo aplicativo foi baixado mais de 53 milhões de vezes em todo o mundo. A sacada no programa de celular é que não há filtros para alterar os aspectos da imagem e da tez.

Na mesma toada, cresce nos consultórios o número de pessoas interessadas em retirar preenchimentos anteriores, com a intenção de conseguir um rosto mais próximo ao que era naturalmente.

Além de buscar um procedimento estético nos casos indicados, porém, é importante ressaltar que a busca por uma pele com mais saúde passa também pelo uso constante de filtro solar, alimentação balanceada e produtos que não agridam a chamada microbiota — camada de microrganismos responsáveis pela proteção da superfície da pele.

“Na naturalização ainda há a paralisia das rugas de expressão, mas com cautela para a pessoa não ficar com o aspecto de rosto congelado. Funciona para quem procura o rejuvenescimento”, diz o dermatologista Carlos Roberto Antônio, colega de Alarcão, co-responsável pelo desenvolvimento da nova modalidade, apresentada para 120 dermatologistas e cirurgiões plásticos em São Paulo, na semana passada.