Náutico dribla credores através de associação sem fins lucrativos

Náutico terá que fugir do rebaixamento na Série B e se explicar na justiça por drible a credores. Foto: Caio Falcao/AGIF
Náutico terá que fugir do rebaixamento na Série B e se explicar na justiça por drible a credores. Foto: Caio Falcao/AGIF

Além da situação difícil dentro de campo, onde ocupa a lanterna da Série B, o Náutico também terá que se explicar por problemas fora das quatro linhas.

Isso porque, um processo do Palmeiras mostrou uma fraude que o atual campeão pernambucano cometeu para não pagar credores, podendo causar invalidação de contratos assinados e até pagamentos de indenizações.

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Díógenes Braga e Edno Melo, presidente e ex-presidente do alvirrubro são os responsáveis pelo uso de uma conta corrente de uma associação civil sem fins lucrativos. A estratégia foi traçada para movimentar parte do dinheiro do clube e fugir de execuções judiciais e bloqueios de credores.

A Recreio Fluvial, associação sem fins lucrativos foi criada em outubro de 2016 e visava arrecadar doações para obras de recuperação do estádio dos Aflitos, mas também foi usada para outros propósitos.

No fim de 2018, ainda sob comando de Edno, o Náutico firmou um empréstimo de R$ 807 mil com a Recreio Fluvial.

O pagamento do empréstimo seria feito através dos direitos comerciais sobre uniformes e espaços publicitários nos Aflitos até dezembro de 2019 e toda a verba arrecadada no período pertenceria à Recreio Fluvial.

Segundo reportagem do portal ge.com, Edno e Diógenes assinaram o contrato pelo Náutico, mas também eram presidente e diretor comercial da nova associação.

"Em 2019, choveram bloqueios. Para tentarmos receber o dinheiro do patrocinador máster, fizemos o contrato de mútuo financeiro, em que colocamos a Recreio como credora do Náutico. Utilizamos esse meio jurídico para liberar o dinheiro", explicou Diógenes, hoje presidente, à reportagem.

No início de 2018, o Palmeiras cobrou o pagamento de uma dívida de R$ 440 mil, referente a empréstimo de jogadores. A Justiça determinou o pagamento e sem saldo, veio a ordem de bloqueio das contas do Náutico.

Assim o clube paulista descobriu um novo patrocinador dos pernambucanos, o Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco. O novo parceiro fechou o contrato com a Recreio Fluvial, por conta do empréstimo cedido quatro dias antes. Mesmo assim, os paulistas conseguiram o bloqueio.

A disputa judicial ainda não acabou e caso o clube pernambucano seja condenado em definitivo, há duas punições cabíveis. Os contratos assinados seriam invalidados, por decisão do juiz neste início de processo, e pode haver indenização por perdas e danos por parte dos credores.

Vale lembrar que esse tipo de fraude não é um crime, mas um ilícito civil, como denominam advogados e juristas.