Navalny contra-ataca com investigação sobre o 'palácio de Putin'

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Líder da oposição Alexei Navalny deixa a delegacia de polícia em 18 de janeiro de 2021, em Khimki, periferia de Moscou

O opositor Alexei Navalny, preso desde o seu retorno para a Rússia, contra-atacou nesta terça-feira (19) com a divulgação de uma investigação sobre o presidente russo, Vladimir Putin, que se beneficiaria de um verdadeiro "palácio" às margens do Mar Negro.

A investigação, que conta com um vídeo de cerca de duas horas com quase 500.000 reproduções, é acompanhada por um pedido aos russos para se manifestar no sábado contra o poder. Navalny havia pedido no dia anterior para que os russos fossem às ruas.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, negou rapidamente essas acusações, afirmando à agência Ria Novosti que "não é verdade", embora tenha admitido que ainda não conhece os detalhes dessa investigação.

Navalny, que gravou o vídeo antes de voltar para a Rússia, afirma que Putin desfrutaria de uma grande propriedade e um imenso palácio perto da cidade russa de Gelendzhik, às margens do Mar Negro.

Este luxoso complexo incluiria vinhedos, um estádio de hóquei sobre o gelo e um cassino. Segundo o opositor, pessoas próximas ao presidente russo, como o chefe da gigante petrolífera Rosneft, Igor Sechin, e o empresário Guennadi Timshenko, o financiaram.

"É um Estado dentro da Rússia. E, neste Estado, só existe um czar imóvel: Putin", estima o opositor, acusando o presidente russo de "estar obcecado com a riqueza e o luxo".

O complexo de 7.000 hectares, o equivalente a "39 vezes o tamanho de Mônaco", custou 100 bilhões de rublos (1,119 bilhão de euros, 1,357 bilhão de dólares), segundo o opositor. Oficialmente, pertence aos Serviços Secretos Russos (FSB).

- "Motivação política" -

O comitê de investigação russo abriu o processo de difamação contra Navalny em julho, acusado de ter divulgado "informações mentirosas e injúrias à honra e à dignidade" de um veterano da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A pessoa envolvida havia manifestado na televisão seu apoio ao referendo constitucional do verão passado para reforçar os poderes de Vladimir Putin.

A investigação do caso foi suspensa durante a hospitalização do oponente na Alemanha, após seu suposto envenenamento em agosto. Navalny acusa o Kremlin pelo ocorrido, e as autoridades russas negam qualquer envolvimento.

Navalny foi preso no domingo, ao voltar para a Rússia procedente de Berlim. Ficará preso pelo menos até 15 de fevereiro, no âmbito de um procedimento por violação de um controle judicial. Está detido em Moscou, em quarentena, devido à pandemia da covid-19.

A depender da gravidade dos fatos, a difamação pode ser punida com multa de até 5 milhões de rublos (US$ 57 mil) e cinco anos de prisão. Também pode ser alvo de penas mais leves, como trabalho de interesse geral.

O serviço penitenciário russo havia alertado que Navalny seria preso em seu retorno, por ter violado o controle judicial que lhe foi imposto como parte de uma pena de cinco anos de prisão sob sursis por peculato. O opositor de Putin insiste na "motivação política" deste caso.

Desde o final de dezembro, ele é alvo de uma nova investigação de fraude por suspeita de ter gastado 356 milhões de rublos (US$ 4,8 milhões) em doações para seu uso pessoal.

- Moscou ignora apelos do Ocidente

O Kremlin anunciou, nesta terça-feira (19), que "não levará em conta" os pedidos do Ocidente para libertar Navalny e disse que a convocação, por parte deste último, de protestos em massa é "ilegal".

"É um assunto completamente interno e não permitiremos que ninguém se meta", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, à imprensa.

"Não podemos e não vamos levar em conta essas declarações" feitas em Berlim, Paris, Washington, Bruxelas e Londres, pedindo a libertação de Alexei Navalny, insistiu Peskov.

O porta-voz também denunciou os "apelos preocupantes" do opositor do Kremlin para manifestações em massa no sábado (23).

"Isso, sem dúvida, pode ser alvo de uma análise para determinar se não se trata de convocações para ações ilegais", completou.

Qualquer manifestação na Rússia precisa da autorização das autoridades. Além disso, em grande parte do país, incluindo Moscou, as reuniões em massa estão proibidas pela pandemia da covid-19.

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